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Conhecida pelos seus modelos de vocação fora-de-estrada, a Suzuki lança no Brasil o crossover S-Cross, apresentado no final do ano passado durante o Salão do Automóvel de São Paulo e que chega para aumentar a presença da marca no país. Com a mira apontada para os potenciais compradores de Honda HR-V e Mitsubishi ASX, o S-Cross tem como principal meta ser o carro mais vendido da Suzuki no mercado brasileiro.

Com apenas 0,2% de participação no mercado nacional, a Suzuki (líder dos segmentos de compactos e terceira marca mais vendida no Japão atrás de Honda e Toyota) ainda não almeja brigar de igual com a concorrência. Para crescer no país, “o principal objetivo é construir uma base sólida para os próximos anos”, disse Luiz Rosenfeld, presidente da marca no Brasil. Em meio a tantos lançamentos de SUVs e crossovers, “a Suzuki espera se consolidar por aqui focando na qualidade de seus produtos e serviços, e não em volume de vendas”, explicou Rosenfeld.

 

Disponível em quatro versões, o crossover fabricado no Japão é oferecido apenas com a motorização 1.6 16V, movida apenas a gasolina, que gera 120 cv de potência e 15,5 kgfm de torque. O modelo é equipado com um câmbio manual de cinco velocidades na versão de entrada, enquanto as demais configurações contam com uma caixa CVT (que simula sete marchas no modo sequencial) e podem receber o sistema de tração integral All Grip com quatro modos de condução.

Embora seja ligeiramente maior que o seu antecessor, o hatch SX4, o S-Cross utiliza uma motorização menor e menos potente para priorizar o consumo de combustível. De acordo com a Suzuki, o uso do bloco de 2.0 litros de 145 cv do SX4 (assim como o uso de tecnologia bicombustível) não chegou a ser cogitado pelo fato de o propulsor não atender os atuais parâmetros de eficiência preconizados pela marca. Segundo os dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro, a versão com câmbio manual do S-Cross atingiu a nota máxima (A) na categoria Utilitário Esportivo Compacto, com médias de 11,9 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada.

A marca reconhece a dificuldade de competir contra modelos com motorizações maiores, mas acredita que o S-Cross GLX CVT pode encarar a versão topo de gama do Honda HR-V (a partir de R$ 88.700, motor 1.8 de 140 cv) no que diz respeito ao pacote de itens de série. Colocando os quesitos espaço interno, equipamentos e preço na disputa, a Suzuki aponta as configurações 4×2 (parte de R$ 94.490) e 4×4 (R$ 107.990) com câmbio automático do Mitsubishi ASX (2.0 160 cv) como principais rivais das variantes 4×4 do S-Cross.

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Confira abaixo as versões, preços e principais equipamentos de série do Suzuki S-Cross:

S-Cross GL manual (R$ 74.900): airbags frontais; freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica de frenagem); rodas de liga leve de 16 polegadas; faróis de neblina; vidros, travas e retrovisores elétricos; volante revestido em couro com comandos do som e telefonia; direção elétrica com ajustes de altura e profundidade; computador de bordo; ar-condicionado; sistema de áudio com CD, MP3,Bluetooth e entrada USB; tomada 12 volts no porta-malas; ganchos Isofix para a ancoragem de cadeirinhas infantis, entre outros.

S-Cross GLX CVT (R$ 88.900): transmissão CVT com borboletas para trocas manuais; rodas de liga leve de 17 polegadas com acabamento diamantado e pintura na cor preta; rack de teto na cor preta; espelhos externos com rebatimento elétrico e repetidores de seta; limitador de velocidade; controle de cruzeiro; chave presencial; ar-condicionado automático de duas zonas; para-sóis com iluminação; banco traseiro reclinável em duas posições; controle de estabilidade; assistente de frenagem; airbags laterais e de cortina; assistente de partida em rampa e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.

S-Cross GLX CVT 4WD (R$ 95.900): acréscimo do sistema de tração integral All Grip e bancos de couro.

S-Cross GLS CVT 4WD (R$ 105.900): itens da GLX CVT 4WD, mais rack de teto na cor prata; faróis bi-xenônio com luzes diurnas de LED e lavadores; sistema multimídia com tela sensível ao toque de oito polegadas com GPS; acabamento interno exclusivo e teto solar elétrico. Para esta versão há ainda a pintura do teto como opcional (R$ 1.000).

De acordo com a Suzuki, 80% das vendas ficarão concentradas nas versões intermediárias GLX CVT e GLX CVT 4WD, enquanto a configuração de entrada GL e a topo de gama GLS CVT 4WD dividirão os 20% restantes.

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Desenvolvido para os mercados europeu e latino-americano, o S-Cross, segundo a Suzuki, não tem o perfil do consumidor japonês. O modelo foi criado para disputar espaço onde o segmento de SUVs compactos e crossovers vem crescendo nos últimos anos. Diferentemente de modelos como o Jeep Renegade, Honda HR-V e Peugeot 2008, o modelo deixou o design em segundo plano para priorizar a eficiência aerodinâmica e, consequentemente, reduzir custos de produção. Segundo a Suzuki, um desenho mais “clean” favorece a segurança, uma vez que linhas de cintura elevadas, colunas alargadas, entre outras ousadias de estilo, podem comprometer a visibilidade do motorista e ocupantes do veículo.

Falando em segurança, o S-Cross utiliza aços de alta resistência em sua construção para aumentar a resistência do habitáculo e reduzir o peso da carroceria (a versão de entrada pesa 1.085 quilos). Além disso, o crossover é equipado com controle de estabilidade, assistente de partida em rampa, assistência de frenagem, airbags laterais e de cortina de série a partir da versão GLX CVT. Na Europa, onde é vendido com a bolsa inflável para os joelhos do condutor, o modelo tirou nota máxima (cinco estrelas) nos testes de impacto feitos pelo Euro NCAP para avaliar a segurança para adultos, crianças no banco traseiro e pedestres.

Bom de dirigir, mas câmbio CVT limita desempenho

Ao abrir a porta do S-Cross é notória a semelhança com modelos de outras marcas japonesas: interior bem acabado, simples em alguns aspectos, e sem firulas. Há material emborrachado no paniel, apliques que imitam alumínio nas portas e a montagem das peças é correta. Os assentos do motorista e do passageiro dianteiro ficam em posição elevada e o painel baixo favorece a visibilidade à frente.

Ao volante do crossover, o condutor se acomoda rapidamente, uma vez que os instrumentos são bem posicionados e a posição de dirigir é encontrada com facilidade graças às regulagens de altura e profundidade do banco e da coluna de direção. O espaço interno do S-Cross é bom para quatro adultos de pouco mais de 1,80 m e a sensação de amplitude é reforçada pela grande área envidraçada (principalmente se a cobertura de tecido do teto solar estiver aberta). O porta-malas leva 440 litros de bagagem (1.270 litros com o banco traseiro rebatido).

Em movimento, o S-Cross chega a lembrar um hatchback apesar da posição de dirigir mais altinha. A suspensão é robusta, com uma calibração mais firme que permite entrar mais decidido em uma curva sem ter a sensação de que o carro irá inclinar excessivamente, como ocorre com a maioria dos SUVs. Embora tenha um rodar firme, o crossover é confortável até mesmo em ruas esburacadas e estradinhas de terra batida.

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Como a Suzuki gosta de destacar, o S-Cross é o carro ideal para aquele motorista que privilegia o conforto ao desempenho. Rodando na cidade, o modelo é realmente agradável, uma vez que o motor e o câmbio CVT trabalham de maneira suave. No entanto, essa mansidão toda prejudica um pouco o rendimento na estrada. Durante o teste-drive, feito majoritariamente em rodovias, foi possível notar que o conjunto mecânico prioriza em demasia o consumo. Parece que a transmissão e o motor deixam de se entender, ao passo que o motorista espera que o carro ganhe fôlego em uma retomada de velocidade, por exemplo. A média de consumo registrada pelo computador de bordo, entretanto, chegou a 16,4 km/l, rodando a velocidades entre 80 e 120 km/h.

A Suzuki destaca o potencial do sistema de tração integral All Grip, que permite ao S-Cross enfrentar situações fora do asfalto, como estradas de terra e até mesmo aquele acesso de areia batida para chegar a uma praia mais afastada. O recurso possui quatro modos de condução: Auto (favorece o consumo em condições normais de uso e ativa a tração nas quatro rodas de acordo com necessidade), Sport (eleva as rotações do motor para respostas mais rápidas e distribui o torque para o eixo traseiro para melhor desempenho nas curvas), Snow/Mud (ideal para pisos escorregadios, como neve e lama, controla as saídas de dianteira ou traseira para uma condução mais estável) e Lock (bloqueia o diferencial em condições um pouco mais severas, distribuindo o torque igualmente para os dois eixos).

A bordo de um S-Cross equipado com o sistema, tivemos uma breve experiência em algumas ruas de areia repletas de buracos e poças de lama. Embora a situação pudesse ser enfrentada com um carro de tração apenas dianteira, o crossover mostrou bom equilibrio mesmo com água até quase metade das rodas. Com o modo Snow/Mud ativado foi possível perceber a interferência no acelerador, que ficou menos sensível.

Já a versão de entrada, a única dotada de transmissão manual, parece ser outro carro. Apesar de contar com acabamento mais simples e menos equipamentos, o modelo é, de longe, o mais agradável de guiar. O câmbio tem engates, curtos e macios (chega a lembrar a caixa MQ200 da Volkswagen), além de escalonamento elogiável que deixa o motor mais disposto a baixas rotações. Nessa configuração, o S-Cross faz o motorista pensar que está no comando de um hatchback bem acertado e não ao volante de um crossover.

O S-Cross chega em um momento repleto de lançamentos e tenta convencer o consumidor a deixar de lado as tão aguardadas novidades do segmento. O crossover da Suzuki chega com os bons argumentos típicos dos carros japoneses: qualidade de construção acima da média, mecânica robusta e boa dirigibilidade. No entanto, esbarra no principal quesito negativo dos demais modelos nipônicos: preço. De qualquer maneira, vale a pena o consumidor conhecê-lo antes de comprar um SUV compacto.

Teste-drive a convite da Suzuki

Ficha técnica

ModeloS-Cross GLS-Cross GLX CVTS-Cross GLX CVT 4WDS-Cross GLS CVT 4WD
PreçoR$ 74.900R$ 88.900R$ 95.900R$ 105.900
Motortransversal, quatro cilindros, 1.6 litro, 16 válvulastransversal, quatro cilindros, 1.6 litro, 16 válvulastransversal, quatro cilindros, 1.6 litro, 16 válvulastransversal, quatro cilindros, 1.6 litro, 16 válvulas
Cilindrada (cm³)1.5861.5861.5861.586
Potência120 cv a 6.000 rpm120 cv a 6.000 rpm120 cv a 6.000 rpm120 cv a 6.000 rpm
Torque15,5 kgfm a 4.400 rpm15,5 kgfm a 4.400 rpm15,5 kgfm a 4.400 rpm15,5 kgfm a 4.400 rpm
Freios dianteirosDiscos ventiladosDiscos ventiladosDiscos ventiladosDiscos ventilados
Freios traseirosDiscos sólidosDiscos sólidosDiscos sólidosDiscos sólidos
Suspensão dianteiraMcPherson, molas helicoidaisMcPherson, molas helicoidaisMcPherson, molas helicoidaisMcPherson, molas helicoidais
Suspensão traseiraEixo de torção, molas helicoidaisEixo de torção, molas helicoidaisEixo de torção, molas helicoidaisEixo de torção, molas helicoidais
RodasLiga leve 16"Liga leve 17"Liga leve 17"Liga leve 17"
Pneus205/60 R16205/50 R17205/50 R17225/50 R17
DireçãoElétricaElétricaElétricaElétrica
Peso em ordem de marcha (kg)1.0851.1251.1701.190
Comprimento (metros)4,304,304,304,30
Largura (m)1,761,761,761,76
Altura (m)1,591,581,581,60
Distância entre-eixos (m)2,602,602,602,60
Porta-malas (litros)440440440440
Tanque (litros)47474747
Altura livre do solo (centímetros)18181819
Ângulo de entrada (graus)20202021
Ângulo de saída (graus)26262631
TraçãoDianteiraDianteiraIntegral sob demanda com bloqueio de diferencialIntegral sob demanda com bloqueio de diferencial