Pela primeira vez, a General Motors admitiu ter errado na sua estratégia para utilitários compactos no Brasil. A afirmação foi feita por Jaime Ardila, Presidente da GM na América do Sul, durante entrevista concedida a jornalistas especializados nesta terça-feira (13), no Salão de Detroit (EUA).

Segundo o executivo, a tática de importar os Chevrolet Captiva e Tracker (galeria acima) foi prejudicada devido ao sistema de cotas do Inovar-Auto. O volume total trazido ao País da dupla é modesto, com cerca de 14 mil carros por ano, sendo 12 mil unidades do Tracker e apenas 2 mil do Captiva. “Se não tivéssemos a restrição, poderíamos emplacar tranquilamente 50 mil Tracker por ano”, estima Ardila.

Por esse motivo, a GM já tem um plano para reverter essa situação e tentar correr atrás do prejuízo, uma vez que a concorrência chegará com força no Brasil: a Jeep com o Renegade, a Honda HR-V, além de modelos de marcas chinesas, como o JAC T5 e os novos Chery Tiggo e Tiggo 5. Em curto prazo, não há muito o que fazer e a fabricante norte-americana conta com uma melhora no critério do Inovar-Auto. Porém, pensando no futuro, a GM já trabalha no desenvolvimento de um utilitário compacto feito no Brasil, que pode começar a ser produzido localmente a qualquer momento a partir de 2017.

A marca ainda faz questão de manter em segredo detalhes do modelo, mas adianta que ele utilizará uma nova plataforma global feita para ser servir de base a diversos compactos, como o Onix. Atualmente, o projeto encontra-se em desenvolvimento de arquitetura. “O utilitário compacto brasileiro terá praticamente as mesmas dimensões do Tracker, ou quem sabe até um pouco menor. Não podemos afirmar ainda, pois ainda não decidimos se o veículo será uma nova geração global do Tracker ou um produto totalmente inédito”, comenta.

 

Só para constar, em 2014, a GM chegou a apresentar no Salão de Nova Déli, na Índia, o conceito Adra (imagens acima), que antecipava uma nova família de compactos para mercados emergentes. Rumores chegaram, inclusive, a antecipar que o protótipo daria origem a modelos do Projeto Ambar, cuja produção seria iniciada na Argentina.

Acredita-se que o compacto local poderá ser feito na fábrica da GM em Joinville (SC), onde atualmente são produzidos os motores de 1.4 litro dos modelos fabricados no Brasil e na Argentina. “Podemos falar que essa fábrica está em uma posição privilegiada neste caso”, afirma Jaime ao comentar que a planta também passará por uma ampliação para a produção de novos motores no futuro.

O fato é que os investimentos de R$ 6,5 bilhões que a GM fará no Brasil até 2018 já contemplam o novo utilitário compacto feito no Brasil.

Viagem a convite da General Motors do Brasil