SONY DSC

O ciclo de vida do Hyundai i30 no Brasil pode ser interpretado como uma roda-gigante. O modelo sul-coreano estreou no auge ao despertar a atenção da crítica e dos consumidores no ano de seu lançamento, em 2009, e chegou assumir a liderança do segmento de hatches médios dois anos mais tarde após vender mais de 13.300 unidades e desbancar os consolidados Ford Focus e Volkswagen Golf. Com visual atraente e bem equipado, o i30 ligou a luz de alerta da concorrência.

Em 2013, a segunda geração do modelo era lançada por aqui, porém, não conseguiu fazer o mesmo sucesso do antecessor. Apesar da evolução em termos de estilo, o hatch não foi capaz de provocar o mesmo interesse nos brasileiros por conta do “downgrade” de motor – o bloco de 2.0 litros a gasolina de 145 cv fora substituído pelo propulsor de 1.6 litro flex de 128 cv que equipa o irmão menos HB20 – e pelos altos preços. Diante desse cenário, a Hyundai viu-se obrigada a tomar decisões para devolver a competitividade ao i30: trocar o propulsor e reposicionar os preços.

A primeira solução adotada foi equipar o hatch com um motor de 1.8 litro mais eficiente que o 2.0 da primeira geração. Também movido apenas a gasolina, o trem de força gera 150 cv de potência e 18,2 kgfm de torque e trabalha associado a um câmbio automático de seis marchas. Esse conjunto mecânico é o único disponível para as três configurações do i30: GLS (a partir de R$ 78 mil), GLS com teto solar (R$ 84 mil) e GLS Completo (R$ 94 mil).

 

Desde a variante mais em conta, o hatch já traz direção elétrica com três modos de assistência (Comfort, Normal e Sport); ar-condicionado; sistema de som com conexões USB/AUX e Bluetooth; volante multifuncional; central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas e câmera de ré; airbags frontais; piloto automático; faróis de neblina; rodas de liga leve de 17 polegadas, entre outros. A segunda opção acrescenta o teto solar, enquanto a mais complementa o pacote com mais cinco bolsas infláveis (duas laterais, duas de cortina e uma para os joelhos do motorista); controles de estabilidadee tração; freio de estacionamento elétrico; chave presencial; bancos em couro com regulagem elétrica para o motorista e ar digital de duas zonas de resfriamento.

Bela embalagem

Além do bom conteúdo, o i30 chama a atenção pelo visual. A carroceria repleta de vincos, o conjunto óptico espichado e as indiscretas rodas de liga leve com elementos cromados formam um desenho que atrai muitos olhares pelas ruas. Propositalmente, o i30 lembra um HB20 anabolizado. As linhas internas também agradam e seguem a identidade vista nos demais modelos da marca, como o sedã médio Elantra.

Em comparação com a primeira geração, o i30 atual é mais espaçoso e conta com uma cabine mais caprichada no que diz respeito ao acabamento. O habitáculo é predominado por plástico, mas há material emborrachado sobre o painel e as peças são bem encaixadas. Quem viaja atrás conta com saídas do ar-condicionado. Outro detalhe que chama a atenção positivamente é o tom azulado do couro que reveste os bancos. Apesar da evolução, o hatch manteve o painel de instrumentos com iluminação azul, inspirada em carros mais antigos da Volkswagen (o i30 foi concebido na Alemanha, onde a Hyundai mantém um centro de desenvolvimento). No geral, o espaço para até quatro adultos está na média da categoria. Já o porta-malas de 378 litros é apenas razoável se levarmos em consideração que o Peugeot 308 leva até 430 litros de bagagem.

Esportividade dá lugar ao conforto

Se na geração anterior o i30 transmitia ao condutor uma pegada esportiva, reforçada pelo rodar mais durinho, o modelo atual tenta agradar com uma tocada mais voltada ao conforto. A suspensão independente na traseira foi substituída por um sistema mais simples, de eixo rígido, enquanto a assistência elétrica da direção pode ser ajustada de modo que é possível virar o volante em manobras utilizando apenas um dedo. Na cidade o i30 ainda sente os efeitos da buraqueira das ruas, mas os solavancos são atenuados pelos bancos com revestimento mais denso e macio.

Hyundai i30 GLS 1.8

Teste Carsale-Mauá
Cidade
Estrada
0 a 100 km/h
Retomada 80 a 120 km/h
8,0 km/l13,5 km/l11,8 segundos8,7 segundos

No Brasil, muita gente ainda torce o nariz para hatches médios com motorização abaixo de 2.0 litros, mas o bloco de 1.8 litro de 16 válvulas com comando variável dá conta do recado na hora de empurrar os 1.250 quilos do carro. O câmbio automático opera de maneira sutil e não vacila quando é necessária uma redução de marcha. As trocas podem ser feitas na alavanca, caso o motorista queira ter o controle pleno do veículo.

O i30 está entre os melhores carros da categoria. É bonito, bem equipado, bom de dirigir e conta com um conjunto motriz condizente com a sua proposta. O que pesa contra o modelo é a ausência de uma versão de entrada mais barata e de outras intermediárias entre a básica e topo de gama, uma vez que a lacuna entre os preços de cada uma é de R$ 16 mil. Os valores se aproximam também das configurações mais equipadas de modelos, como o Ford Focus e Volkswagen Golf, atualmente a referência em tecnologia e refinamento da categoria. A Hyundai poderia rever o posicionamento daquele que já foi o seu best seller no Brasil, uma vez que ostenta certo prestígio com o consumidor brasileiro. Em 2014, o i30 foi o quinto colocado no ranking de vendas do segmento de hatches médios com 5.181 emplacamentos, atrás de Peugeot 308 (5.574 unidades), Volkswagen Golf (16.118), Chevrolet Cruze Sport6 (17.049) e Ford Focus (21.859).

Ficha técnica

ModeloHyundai i30 GLS 1.8
Preçoa partir de R$ 78 mil
Motor1.8 litro 16V
Cilindrada (cm³)1.797
Potência150 cv
Torque18,2 kgfm
Freios dianteirosDiscos ventilados
Freios traseirosDiscos sólidos
Suspensão dianteiraMcPherson
Suspensão traseiraEixo de torção com barra estabilizadora
RodasLiga leve de 17 polegadas
Pneus225/45 R17
DireçãoElétrica
Peso em ordem de marcha (kg)1.250
Comprimento (metros)4,30
Largura (m)1,78
Altura (m)1,49
Distância entre-eixos (m)2,65
Tanque (litros)53
Porta-malas (litros)378