Sabe o Volkswagen up!, lançado em fevereiro de 2014? Então, ele já é um carro com visual “desatualizado”, ao menos para os designers da marca. Mas isso se aplica a todos os carros novos que estão nas ruas. Isso porque o trabalho de criação de um modelo começa, pelo menos, quatro anos antes de seu lançamento. Com isso, a reestilização ou até mesmo a sucessão do veículo, já está em estudo pela equipe de design no momento em que ele chega às lojas.

“O primeiro contato que se tem com um automóvel é com o estilo, com a sua forma. Por isso, o design é tão importante. Ele é o início da relação entre o homem e a máquina. É um ser andando diante de mais de três mil peças montadas. Mas para dar certo essa relação, o veículo tem que cativar por dentro e por fora”, explica o diretor de Design da Volkswagen do Brasil, Luiz Alberto Veiga.

O primeiro passo são os sketches, ou seja, os rabiscos. Para um novo veículo ser definido, várias propostas são apresentadas, até que se chegue ao tema preferido. Mas, além de evoluir, os modelos precisam manter o DNA da marca, a identidade visual.

Depois dos sketches, os modelos são entregues a área de package, onde são dimensionados e posicionados os espaços e os componentes do veículo. Além disso, os técnicos ajustam e definem o tamanho ideal do carro, assim como analisam as questões ergonômicas em relação ao ser humano e também de adequação ao meio ambiente.

As ideias mostradas nos sketches, adaptadas às medidas definidas do package, são transferidas para um desenho com tamanho real do novo veículo. Após aprovado, o veículo é modelado em clay, uma massa especial composta por barro e demais elementos químicos, para dar origem ao modelo em tamanho natural.

Nesta fase, a área de engenharia avançada participa ativamente em conjunto com os designers e engenheiros especialistas em package, para viabilizar tecnicamente o veículo. Este modelo em clay recebe pintura e todos acabamentos como faróis, grades, vidros, entre outros componentes, para tornar-se o mais próximo possível de um carro feito em série.

Gerson Barone, gerente-executivo de Design da Volkswagen do Brasil, afirma que: “o segredo do designer automotivo não está na capacidade de criar forma e conteúdo, mas sim em fazer com que o seu projeto seja viável e duradouro”. Por isso, toda a vida útil do modelo é definida durante o projeto e, eventualmente, recebe séries especiais ou reestilizações, conforme a demanda do mercado.

O interior do veículo passa pelo mesmo processo e também é modelado, em todos os seus detalhes, da mesma forma que será quando forem produzidos. Isso inclui painel de instrumentos, laterais de portas, teto e todas as partes visíveis.

Por fim, a parte mais importante se tratando de design entra em ação, a área de Color & Trim, que pesquisa e reúne as principais tendências do mercado, de estilo e adequa as novas tecnologias às necessidades do design. Com esse trabalho, a equipe define a proposta do veículo, desde um modelo com acabamento premium a uma versão mais simples. Nas imagens abaixo é possível comparar a diferença de acabamentos das versões do Voyage, sendo o Evidence, à esquerda e o Trendline, à direita:

comparainterior

Cumpridas essas etapas, o novo modelo é levado para a matriz da Volkswagen, na Alemanha, onde é submetido à direção do Design Center, em Wolfsburg. Depos de aprovado, o modelo sofre os ajustes necessários e começa a construção matemática, ou seja, o carro passa por um scanning e vira cálculos de proporções milimétricas quanto às tolerâncias.

Essas informações matemáticas vão mais tarde definir o modelo virtual. Até este ponto a fábrica nem se movimentou no sentido de criar uma peça para o modelo. Somente após toda a concepção virtual começa o desenvolvimento das ferramentas e meios necessários para a sua produção.

Definido e aprovado o design do futuro veículo, as informações matemáticas são congeladas. Portanto, o projeto não mudará, mesmo que o modelo ainda seja lançado somente daqui a 18 meses.