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A Jaguar aproveitou o Fast Drive Interlagos 2014 (evento realizado entre os dias 30 de maio e 1º de junho no icônico autódromo paulistano para apresentar os seus modelos a convidados e potenciais clientes) para lançar no mercado brasileiro a versão cupê do F-Type. Com preços entre R$ 426.300 e R$ 662 mil, o modelo chega nove meses após o lançamento da configuração conversível e completa o retorno da marca britânica às suas origens esportivas, nascidas em 1961 com o consagrado E-Type.

O cupê é oferecido em duas versões com motorização de 3.0 litros V6 – de 340 cv (R$ 426.300) e 380 cv (R$ 497.700) – além da nervosa R (R$ 662 mil), que leva sob o capô um bloco de 5.0 litros V8 Supercharged de 550 cv e pouco mais de 69 kgfm de torque. As três variantes são equipadas com câmbio automático de oito marchas ZF e tração traseira. Confira na tabela abaixo os dados técnicos e de desempenho divulgados pela Jaguar:

Versão
Potência (cv)
Torque (kgfm)
0 a 100 km/h (segundos)
Vel. máxima (km/h)
F-Type Coupé 3.0 V634045,85.3260
F-Type Coupé S 3.0 V638046,94.9275
F-Type Coupé R 5.0 V855069,344.2300

Logo de cara, o F-Type Coupé chama a atenção pelo desenho cheio de personalidade, que mescla linhas sedutoras e ao mesmo tempo agressivas. A carroceria, confeccionada em uma única peça de alumínio para reduzir o número de soldas e parafusos, é cerca de 80% mais rígida que a do conversível. A dianteira do esportivo combina faróis em LED afilados e para-choque com grandes entradas de ar e grade frontal em formato de boca. O teto baixo termina na traseira curta, que conta com um pequeno aerofólio retrátil (pode ser acionado por meio de um botão no console central ou automaticamente a partir dos 100 km/h) e lanternas esguias que invadem os para-lamas de aparência musculosa.

Do lado de dentro, o cupê ostenta o já conhecido padrão de acabamento da Jaguar com materiais de ótima qualidade e peças impecavelmente montadas. O grande console central, pensado para deixar todos os comandos do carro à mão do condutor, possui botões inspirados na aviação. Motorista e passageiro ficam acomodados em bancos esportivos em forma de concha com abas infláveis para segurar o corpo em curvas rápidas. Assim como o painel e o volante, os assentos são revestidos em couro. Para entreter os ocupantes, há uma central multimídia com tela de 8” e sistema de som da marca Meridian de 770 Watts de potência.

De série, o F-Type Coupé traz equipamentos óbvios para um carro de sua faixa de preço: ar-condicionado de duas zonas de resfriamento, direção com assistência elétrica, airbags frontais, laterais e de cortina, freios com ABS (antitravamento), EBD e EBA (distribuidor e assistente de frenagem) e rodas de liga leve de 20 polegadas, teto panorâmico, entre outros. A versão V6 S traz ainda controle de largada e sistema que controla o ronco do escapamento. Já a R V8 acrescenta bancos com couro de duas tonalidades e rodas em carbono. Todas as configurações podem ser equipadas com freios de carbono, um opcional de aproximadamente R$ 30 mil, segundo a marca.

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Pronto para dar o bote

Se fizéssemos uma analogia do F-Type com um animal, certamente o compararíamos com um grande felino, como o nome da marca sugere. A cara de mau do esportivo dá a impressão que ele está pronto para o ataque. No caso, acelerar forte. A agressividade do cupê vem à tona ao apertar o botão que dá a partida no motor. O “vê-oitão” urra forte e o som emitido pelas quatro saídas de escape lembram um rugido.

Segundo a Jaguar, o F-Type é o resultado do desenvolvimento de um carro feito para brigar com o Porsche 911, porém custando menos (o modelo alemão custa mais de R$ 1 milhão no mercado brasileiro) e oferecendo tecnologia e desempenho semelhantes.

Durante o rápido teste-drive do modelo, no Autódromo de Interlagos, foi possível notar do que o F-Type é capaz. Um piloto contratado pela marca orientava sobre como aproveitar melhor o potencial do carro no traçado do lendário circuito paulistano, uma vez que havia chovido no dia e a pista estava bastante escorregadia. Um vacilo ao volante de um carro que combina motor potente e tração traseira, mais o asfalto molhado, seria o suficiente para provocar uma baixa na frota da Jaguar.

No comando do cupê, o motorista fica sentado bem próximo ao solo, lembrando ainda mais a posição de dirigir de um carro de corrida. A sensação é reforçada pelas acelerações vigorosas e pelo ronco do escapamento que fica mais grave conforme o giro do motor vai subindo. As reduções de marchas, que podem ser feitas na borboleta atrás do volante ou na própria alavanca, provocam “pipocos” típicos dos bólidos de competição. As curvas são contornadas sem praticamente nenhuma rolagem da carroceria devido o acerto bastante firme da suspensão. E os freios cumprem o seu papel: parar com muita eficiência um esportivo que acelera muito forte.

Ao final das duas voltas com o F-Type Coupé em Interlagos ficaram duas sensações: a primeira é a que a Jaguar conseguiu criar um carro instigante, cheio de personalidade e ainda por cima extremamente bonito. A segunda é de que os pouquíssimos felizardos com bala na agulha para pagar mais de R$ 600 mil por um carro se divertirão demais ao volante do bólido.