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Nos últimos anos, o segmento de sedãs compactos foi “incrementado” com modelos criados para oferecer espaço interno mais generoso, porém sem perder o apelo do preço mais acessível e do custo-benefício. Algumas das montadoras que disputam espaço nessa categoria lançaram um produto voltado ao consumidor que pretende adquirir um carro que atenda as necessidades cotidianas de sua família, mas ainda não tem condições de comprar um sedã médio.

Há seis anos, a Renault lançava no Brasil o Logan, um sedã desenvolvido pela romena Dacia para ser comercializado em mercados emergentes. Embora não tivesse um visual atraente, o modelo chamava a atenção pela capacidade de transportar até cinco adultos sem aperto e pela mecânica relativamente simples. Em seguida, foi a vez de outras marcas apostarem em carros de proposta semelhante: Chevrolet Cobalt, Nissan Versa e Fiat Grand Siena.

O último, por sua vez, é montado sobre uma plataforma que mescla elementos do Uno e do Punto para proporcionar dimensões (principalmente as internas) mais generosas que as do veterano Siena, ainda derivado da primeira geração do Palio. Os ganhos de cerca de 13,7 centímetros na distância entre-eixos e 8,8 cm na largura interna favoreceram também a capacidade do porta-malas (520 litros ante 500 do Siena).

Chega de ser o patinho feio

Apesar de ter conquistado uma legião de fãs – formada principalmente por frotistas e taxistas – por conta de seu ótimo espaço interno, o Logan sempre foi lembrado pelo design polêmico que remetia a carros de décadas passadas. Para melhorar a imagem do sedã, a Renault decidiu dar um belo tapa no visual do sedã durante o desenvolvimento da segunda geração do modelo. Além de uma nova plataforma, o Logan renovado recebeu também detalhes da atual identidade da marca, como o enorme logotipo centralizado na grade dianteira e faróis afilados. Já a traseira ficou mais elegante graças às lanternas de desenho mais convencional que o das antigas triangulares.

Por dentro, a simplicidade das linhas não deixam escapar que o Logan é um carro que nasceu para custar pouco, mas é possível notar uma melhora na qualidade dos materiais do painel, das portas e, sobretudo, no tecido dos bancos (relembre mais detalhes no teste 90 segundos).

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Um Siena emergente

O Grand Siena tenta se afastar do Siena apenas pelas maiores dimensões. O sedã tem linhas mais elegantes, mas que ainda remetem à família de compactos da Fiat. O modelo mostra mais refinamento, principalmente do lado de dentro, com a utilização de peças plásticas e tecidos de qualidade superior em comparação ao antecessor e rival.

Briga na faixa dos R$ 40 mil

O Carsale decidiu fazer um comparativo entre os dois sedãs levando em consideração o preço sugerido e a lista de itens de série de cada um. O Logan entra na disputa com a versão Expression com motor 1.6, que parte de R$ 40.590. Embora custe R$ 200 a mais, o Grand Siena Attractive (R$ 40.790) é equipado com um propulsor de 1.4 litro.

Os sedãs saem de fábrica com os obrigatórios airbags frontais e freios com ABS, além de direção hidráulica, vidros dianteiros e travas das portas com acionamento elétrico e computador de bordo. Enquanto o Fiat complementa a sua lista com faróis de neblina, o Renault leva vantagem por acrescentar ar-condicionado (oferecido no Grand Siena como opcional por R$ 3.395) e rádio AM/FM/MP3/USB.

Configurado com praticamente todos os opcionais disponíveis – rodas de liga leve de 15 polegadas (R$ 1.002), sistema de som Connect com CD/MP3/USB/Bluetooth (R$ 1.762), alarme anti-furto (R$ 502), sensor de estacionamento traseiro (R$ 727), vidros traseiros elétricos (R$ 536), volante revestido em couro com controle do som (R$ 428), bancos com tecido especial e apoio de braço dianteiro (R$ 706), além do ar-condicionado – o Grand Siena Attractive avaliado atinge os R$ 49.848 de preço final.

Já o Logan testado contava apenas com a central multimídia Media Nav (R$ 1.150), que engloba GPS, áudio, Bluetooth, entradas USB e AUX e sensor de estacionamento traseiro, e pintura metálica marrom Cobre (R$ 1.080), totalizando R$ 42.820.

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Espaço interno é o ponto forte dos sedãs

Tanto o Logan como o Grand Siena oferecem espaço interno superior ao de alguns sedãs médios. O Renault, entretanto, é o único que consegue acomodar três adultos no banco traseiro com relativa folga graças ao entre-eixos mais longo (2,63 metros ante 2,51 m do Fiat) e o teto mais alto. No quesito acabamento, o sedã da Fiat leva ligeira vantagem por contar com materiais mais agradáveis ao toque.

As melhorias promovidas pela Renault melhoraram consideravelmente a ergonomia do Logan, mas o motorista fica melhor acomodado no Gran Siena que possui controles em posição mais intuitiva e painel mais baixo, o que favorece a visão do condutor. Ambos oferecem uma posição de dirigir um pouco mais elevada que a da maioria dos carros.

Motor maior dá vantagem ao Logan

Graças ao motor de 1.6 litro de oito válvulas, que desenvolve 98/106 cv de potência (gasolina/etanol) a 5.250 rpm e 14,5/15,5 kgfm de torque a 2.850 rpm, o Logan mostra maior disposição em arrancadas e ladeiras. O Renault, no entanto, sente um pouco os 1.070 seus quilos quando o ar-condicionado é acionado.

Já o Grand Siena exige certa paciência do motorista por ter um desempenho bem mais acanhado que o do Logan. O motor de 1.4 litro de 85/88 cv (g/e) e 12,4/12,5 kgfm, ambos a 3.500 rpm, mostra ser apenas suficiente para carregar o sedã de 1.094 quilos. Com o ar-condicionado ligado, o comportamento do carro chega a ser sofrível. A direção e o câmbio mais precisos compensam, em partes, a “anemia” do propulsor.

Confira na tabela abaixo as médias de consumo aferidas pelo tradicional teste Carsale-Mauá:

Logan x Grand Siena

Teste Carsale-Mauá
ModeloConsumo urbano (etanol)Consumo rodoviário (etanol)0 a 100 km/h (etanol)
Logan Expression 1.67,6 km/l11,5 km/l12,22 segundos
Grand Siena Attractive 1.48,0 km/l12,4 km/l15,82 segundos

Em termos de suspensão, ambos mostram um acerto voltado ao conforto, mas o conjunto do Fiat mostra maior capacidade de absorver as irregularidades do piso.

Neste duelo, o Logan mostra ser a melhor opção de compra não só por ser mais barato, mas também pelo desempenho e espaço interno superiores e por já sair de fábrica com ar-condicionado e rádio, itens de conforto cada vez mais procurados pelos consumidores de modelos de mais de R$ 40 mil. Se o cliente do Grand Siena quiser um carro mais equipado e com desempenho superior, terá de optar pela versão Essence com motor 1.6 de 16 válvulas de 117 cv (com etanol), que custa a partir de R$ 45.700.

Aos motoristas que pretendem dar um descanso ao pé esquerdo, vale lembrar que o Grand Siena Essence pode ser equipado com a transmissão automatizada Dualogic de cinco marchas. Já o Logan só deverá receber câmbio automático no segundo semestre deste ano.

Ficha técnica

ModeloLogan Expression 1.6Grand Siena Attractive 1.4
PreçoR$ 40.590R$ 40.790
Motor1.6 8V Hi-Power1.4 8V Evo Flex
Cilindrada (cm³)1.5981.368
Potência (etanol/gasolina)106/98 cv88/85 cv
Torque (e/g)14,5/15,5 kgfm a 2.850 rpm12,5/12,4 kgfm a 3.500 rpm
Freios dianteirosDiscos sólidosDiscos ventilados
Freios traseirosTamboresTambores
Suspensão dianteiraMcPhersonMcPherson
Suspensão traseiraEixo de torção com rodas semi-independentesEixo de torção com rodas semi-independentes
RodasAço 15"Aço 14"
Pneus185/65 R15185/65 R14
DireçãoHidráulicaHidráulica
Peso em ordem de marcha (kg)1.0701.094
Comprimento (metros)4,344,29
Largura (m)1,731,70
Altura (m)1,521,50
Distância entre-eixos (m)2,632,51
Porta-malas (litros)510520
Tanque (litros)5048