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A “bola da vez”, no que diz respeito a veículos compactos, é a concepção de motores de três cilindros. Mais comuns na Europa, esses propulsores começam (na verdade, voltam) a se tornar uma figura comum no mercado brasileiro. Popularizado recentemente pelas sul-coreanas Kia e Hyundai, nos modelos Picanto e HB20, esse tipo de motorização passou a ser utilizada também pela Volkswagen no Fox BlueMotion 1.0 e up!. Nesta semana, foi a vez da Ford apresentar o bloco 1.0 3C Duplo Comando Flex (uma variação simplificada do EcoBoost 1.0 do New Fiesta europeu) que equipará o novo Ka. Antes da chegada desses modelos, entretanto, a smart começou a importar da França, em 2009, o fortwo com o motor tricilíndrico 1.0 turbo a gasolina, que desenvolve 84 cv e 12,2 kgfm de torque. A versão aspirada dessa unidade entrega 71 cv e 9,3 kgfm.

Em um mundo cada vez mais preocupado em reduzir o consumo de combustível e as emissões de gases poluentes, as fabricantes de automóveis vêm trabalhando a cada dia no desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis em busca da eficiência energética. Nos últimos anos, o “downsizing” de motores (conceito que consiste em substituir os propulsores de grande cilindrada por outros menores, porém mais econômicos e potentes graças à adoção de recursos como injeção direta de combustível e turbocompressores) tem sido uma das alternativas encontradas pelas montadoras.

Por ter um número menor de componentes (um cilindro a menos exclui também um pistão, uma biela e reduz as dimensões do bloco, cabeçote, comando de válvulas e virabrequim), o motor tricilíndrico é mais leve que um similar de quatro cilindros. A “dieta” alivia também o trabalho dos coxins que sustentam o motor e da suspensão dianteira. Com um cilindro a menos, o propulsor passa também a consumir menos combustível.

Já a principal desvantagem verificada nesse tipo de motor é a maior vibração em altas rotações. O efeito acontece devido o desequilibrio de massas causado por sua configuração. Mas as montadoras já trabalham em alterações voltadas a atenuar o problema.

O que vem por aí

Outras marcas também seguirão a tendência dos motores de três cilindros em seus novos produtos. Rumores afirmam que a Fiat estreará o seu propulsor como principal novidade da linha 2015 do Uno, que contará também com transmissão automatizada para ficar mais competitivo frente aos rivais Volkswagen up! e Ford Ka. Segundo a matéria de UOL Carros, o compacto chegará reestilizado no segundo semestre deste ano, logo após a Copa do Mundo.

Já a General Motors, embora conte com o moderno Ecotec 1.0 com turbo e injeção direta na linha Opel vendida na Europa, ainda não confirma a utilização de um propulsor tricilíndrico no Brasil. Rumores já chegaram a cogitar uma variante mais simplificada desse motor no projeto Fênix (dará origem a compactos globais que serão produzidos na Argentina) e até mesmo no Onix.

Com previsão de iniciar as operações da fábrica de Camaçari (BA) em meados de 2015, a JAC Motors confirmou que a sua linha comercializada no Brasil também terá a opção de motor de três cilindros de 1.0 litro. O propulsor será utilizado no novo carro, possivelmente o sucessor do J3, que sairá da linha de produção baiana.

1958 DKW Sedan 02

Pioneiro

Engana-se quem acha que o uso de motores tricilíndricos seja uma novidade no Brasil. No começo da indústria automobilística nacional, no final da década de 1950, a Vemag (Veículos e Máquinas Agrícolas S.A.) obteve a licença da alemã DKW para produzir os seus modelos no País. A perua Vemaguet e o sedã Belcar (imagem acima) eram equipados com um bloco de três cilindros, de ciclo dois tempos, de 1.0 litro que desenvolvia 44 cv de potência e cerca de 8 kgfm de torque. O propulsor DKW contava ainda com uma bobina por cilindro e Lubrimat (disponível a partir de 1964), um dispositivo responsável pela mistura do óleo dois tempos à gasolina.

Confira na tabela abaixo as fichas técnicas dos motores de três cilindros já comercializados no Brasil:

Motor
Ford 1.0 3C Duplo Comando Flex
Volkswagen EA211 1.0
Hyundai/Kia Kappa 1.0
DKW 1.0
PosiçãoTransversalTransversalTransversalLongitudinal
AlimentaçãoNão divulgadaInjeção eletrônica multipontoInjeção eletrônica sequencialCarburador de corpo simples
Cilindrada (cm³)999999998980
ComandoDuplo variável, 12 válvulasDuplo, 12 válvulasDuplo variável, 12 válvulasNão aplicável
Taxa de compressão12:111,5:112,5:17,3:1
Potência máxima (etanol/gasolina)85/80 cv a 4.500 rpm82/75 cv a 6.250 rpm80/75 cv a 6.200 rpm44 cv a 4.250 rpm
Torque máximo (etanol/gasolina)10,7 kgfm a 4.500 rpm/10,1 kgfm a 3.500 rpm10,4/9,7 kgfm a 3 mil rpm10,2/9,4 kgfm a 4.5008 kgfm a 2.800 rpm
CombustívelEtanol e gasolinaEtanol e gasolinaEtanol e gasolinaGasolina e óleo dois tempos