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A Nissan lançou a sétima geração do Sentra em outubro do ano passado com a pretensão de dobrar o volume de vendas do sedã (comercializar entre 1.300 e 1.400 unidades por mês) e, consequentemente, conquistar a quarta posição do segmento, até então ocupada pelo Volkswagen Jetta.

Pelo o que indica os números divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), as expectativas da Nissan estão se tornando realidade. Com 3.285 emplacamentos no acumulado do ano (em março foram 1.047 unidades comercializadas), o modelo já figura entre os sedãs médios mais vendidos do mercado, superado apenas por Honda Civic (12.623 carros), Toyota Corolla (9.051) e Chevrolet Cruze (5.834).

O desempenho do Sentra pode ser considerado bastante satisfatório pelo fato de, em apenas cinco meses de mercado, estar à frente de modelos como Citroën C4 Lounge (2.316 emplacamentos em 2014), Renault Fluence (1.795) e Volkswagen Jetta (1.773), além do tão aguardado novo Ford Focus Sedan (1.703), que ainda não justificou, nas vendas, toda a expectativa provocada na época de seu lançamento.

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Para levar o Sentra à uma posição de destaque no mercado, a Nissan promoveu diversas alterações, especialmente na carroceria, para deixá-lo com o visual alinhado à nova identidade da marca. O sedã ficou mais imponente e bastante parecido com o irmão maior Altima (confira o vídeo da avaliação do modelo). A frente do carro ostenta uma grade trapezoidal cromada e chama a atenção pelos faróis em formato de flecha, dotados de uma fileira de LEDs que servem como lanterna. Olhando o Sentra de perfil, é possível notar que o sedã perdeu a silhueta retilínea (e sem graça) da geração anterior e agora conta com uma linha de cintura mais acentuada. Já a traseira ganhou elementos horizontais, como lanternas e barra cromada no meio da tampa, que deram mais personalidade ao modelo.

Sob o capô, o Sentra leva a mesma motorização em todas as versões: 2.0 litros de 16 válvulas que desenvolve 140 cv de potência a 5.100 rpm e 20 kgfm de torque a 4.800 rpm tanto com etanol quanto com gasolina. Nesta geração, o propulsor recebeu o sistema de partida a frio Flex Start, desenvolvido pela Bosch, que elimina o reservatório auxiliar de gasolina.

Já as transmissões disponíveis são a manual de seis marchas (apenas para a versão de entrada S), além da continuamente variável (CVT). De acordo com a Nissan, essa última ficou 13% mais leve que a utilizada na geração anterior do Sentra após ter cerca de 60% de seus componentes substituídos por outros novos.

Impressões

O Carsale avaliou por uma semana uma unidade da versão S, cujo preço parte de R$ 62.190. O interior do Sentra tem linhas sóbrias, mas o acabamento conta com materiais agradáveis ao toque. As peças plásticas são bem encaixadas e sem rebarbas. O que chama a atenção logo ao entrar no carro é o tecido aveludado de boa qualidade presente nos bancos e nos painéis das portas que tornam o interior mais aconchegante. O volante, revestido em couro, leva apliques de plástico cinza como o console central.

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A posição de dirigir é fácil de ser encontrada, uma vez que a coluna de direção possui regulagens de altura e profundidade. Já os passageiros encontram bom espaço para as pernas graças à boa distância entre-eixos de 2,70 metros. Quem viaja atrás pode encarar longos trajetos sem sentir cansaço por conta do banco traseiro ergonômico que ainda conta com ganchos ISOFIX para a fixação de cadeirinhas infantis. O porta-malas acomoda 503 litros de bagagem – ante 449 litros do Civic, 470 do Corolla e 450 do Cruze, os três primeiros colocados do segmento.

Assim como os demais sedãs de marcas japonesas, o Sentra preza pela racionalidade. Dirigi-lo é uma tarefa longe de ser emocionante, afinal, estamos tratando de um carro que será utilizado por pessoas que priorizam o conforto para levar a família. Embora o motor de 2.0 litros de 140 cv ofereça menos potência que os principais rivais (os propulsores de Civic e Corolla já superaram a barreira dos 150 cv), o sedã de 1.288 quilos mostra bom fôlego tanto na cidade quanto na estrada. O câmbio manual de seis marchas é bem escalonado e trabalha em sintonia com o motor. A alavanca, apesar de não ser um primor em precisão, tem engates curtos. Confira na tabela abaixo os dados de consumo e desempenho aferidos pelo tradicional teste Carsale-Mauá, realizado pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).

 
Cidade
Estrada
0 a 100 km/h
Etanol7,4 km/l11,8 km/l10,63 segundos
Gasolina10,5 km/l14,5 km/l10,97 segundos

Ao volante, o Sentra se destaca pelo bom isolamento acústico e pela suspensão bem acertada para o piso brasileiro. O sistema –McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira – filtra as ondulações do asfalto com eficiência e, apesar do acerto mais macio, não passa a sensação de insegurança em curvas mais rápidas. Já a direção elétrica, leve em manobras, poderia ser mais firme em velocidades mais altas.

O Sentra S sai de fábrica com airbags frontais, freios a disco nas quatro rodas com ABS (anti-travamento), EBD e BA (distribuidor e assistente de frenagem), faróis com LEDs, computador de bordo, ar-condicionado, direção com assistência elétrica, faróis de neblina, alarme perimétrico, rádio AM/FM/CD/MP3/Bluetooth/entrada auxiliar e quatro alto-falantes, rodas de liga leve de 16 polegadas calçadas em pneus 205/55 R16, chave presencial, entre outros. Faz falta, entretanto, ao menos um sensor de estacionamento, um item que seria bastante útil em um carro de 4,62 metros de comprimento.

O Nissan Sentra precisava de uma bela renovação para poder se destacar entre os sedãs médios no Brasil. Embora seja uma figura presente há um bom tempo em mercados mais exigentes, como o norte-americano, o modelo ainda não conquistou a confiança e a admiração que o consumidor brasileiro tem pelos também nipônicos Honda Civic e Toyota Corolla. A conquista da quarta posição em uma categoria tão competitiva mostra que o modelo já começa a cativar um público, geralmente fiel às marcas líderes. Além disso, o Sentra mostra qualidades – principalmente em termos de conforto para os ocupantes e custo-benefício – capazes de fazê-lo ameaçar tomar a terceira posição do Chevrolet Cruze.