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Uma das estratégias adotadas pela Fiat após a aquisição da Chrysler, em 2009, foi utilizar alguns dos produtos que a marca norte-americana dispunha em seu portfólio para atuar em diferentes categorias e mercados. Um dos frutos dessa parceria é o Freemont, um crossover baseado no Dodge Journey e fabricado no México para ser vendido pela montadora italiana (que não tem tradição em fabricar veículos grandes) na Europa.

Em 2011, a Fiat decidiu importar o modelo para o Brasil para marcar a sua estreia no concorrido segmento de utilitários esportivos. Na época de seu lançamento, o Freemont recebeu críticas por vir equipado com um conjunto mecânico mais antiquado que o do seu irmão etiquetado com o emblema da Dodge: enquanto o Journey levava sob o capô um bloco de 2.7 litros V6 de 185 cv de potência (atualmente o modelo conta com o moderno Pentastar 3.6 V6 de 280 cv) e transmissão automática de seis marchas, o Fiat trazia um quatro-cilindros de 2.4 litros de 172 cv e uma caixa, também automática, de quatro velocidades herdados do extinto Chrysler PT Cruiser.

O motor, apenas suficiente para o porte do carro (mais de 1.800 quilos), tinha o desempenho limitado pelo câmbio de quatro marchas e era um dos motivos de reclamações por parte da crítica e de consumidores. Para corrigir esse deslize, a fabricante decidiu, em 2013, substituir a transmissão por outra mais moderna de seis velocidades com intuito de melhorar o comportamento do veículo e, consequentemente, economizar combustível.

A nova caixa conta com relações mais curtas nas três primeiras marchas para favorecer o desempenho na cidade e subidas. A partir da quarta, o sistema permite ao propulsor trabalhar em rotações mais baixas e opera em relações mais longas para privilegiar o consumo. O ganho em desempenho, de acordo com a Fiat, foi pequeno com a nova transmissão: a aceleração de 0 a 100 km/h baixou de 12,9 para 12,3 segundos. O motor não sofreu alterações.

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Oferecido nas versões Emotion (a partir de R$ 96.530) e Precision (R$ 103.950), o Freemont sai de fábrica equipado com airbags frontais, freios com ABS (anti-travamento) e EBD (distribuidor de frenagem), controles de estabilidade e tração, ar-condicionado digital de duas zonas, rodas de liga leve de 17 polegadas, sensor de estacionamento traseiro, controlador automático de velocidade, rádio com tela sensível ao toque de 4.3 polegadas, USB/MP3/AUX/Bluetooth e comandos no volante, computador de bordo, barras de teto, entre outros itens. A configuração mais cara acrescenta ainda sistema multimídia com tela sensível ao toque de 8.4 polegadas, GPS, câmera de ré, DVD, entrada para cartão SD, airbags laterais e de cortina, banco do motorista com ajustes elétricos, terceira fileira de bancos e ar-condicionado de três zonas.

No caso do carro avaliado pelo Carsale, uma unidade da configuração topo de gama, há ainda a pintura perolizada branco Gioioso (R$ 1.592), teto solar com acionamento elétrico (R$ 3.088) e revestimento em couro com aquecimento para os bancos dianteiros (R$ 2.711), levando o preço final do modelo a R$ 108.630.

Interior versátil e espaçoso

O grande apelo do Freemont é a capacidade de acomodar uma família, mais a bagagem, com conforto e espaço de sobra. Enquanto apenas crianças podem ser acomodadas na terceira fileira, os outros bancos recebem muito bem os demais ocupantes. Os assentos, revestidos em couro, são anatômicos e bastante adequados para encarar longos trajetos. Tanto quem viaja na frente quanto quem vai atrás não pode reclamar de espaço para as pernas. O conforto é favorecido também pela suspensão macia (McPherson na dianteira e Multi-link na traseira), porém bem acertada para enfrentar a buraqueira das ruas e estradas brasileiras.

Os passageiros da segunda fileira contam ainda com um sistema de ar-condicionado com controles e saídas de ventilação no teto, ganchos ISOFIX para a fixação de cadeirinhas infantis e dois boosters (assentos de elevação) – ativados por meio de uma fita no assento – para transportar crianças entre 4 e 7 anos de idade.

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Já o porta-malas pode levar 580 litros de bagagem caso a terceira fileira não esteja sendo utilizada – os bancos ficam acomodados no assoalho. O espaço na traseira pode ser ampliado para 2.301 litros se todos os assentos forem rebatidos. Com a lotação máxima de passageiros, a capacidade do compartimento de carga cai para 145 litros.

O interior do Freemont denuncia a parceria Fiat-Chrysler pelo bom acabamento e o uso de materiais de qualidade. O painel tem peças bem montadas e leva material emborrachado na parte superior, enquanto os bancos, portas e volante são revestidos em couro.

Impressões

O crossover mostra desempenho adequado para rodar na cidade, uma vez que o novo câmbio aproveita melhor a força do motor em subidas e arrancadas. Na estrada, entretanto, o grandalhão (são 4,88 metros de comprimento, 1,70 m de altura, 1,87 m de largura, 2,89 m de distância entre-eixos e 1.849 quilos) demora a embalar pelo fato de o propulsor só entregar o torque máximo de 22,4 kgfm a 4.500 rpm. De uma maneira geral, a transmissão de seis velocidades deixou o Freemont um pouco mais esperto por realizar reduções de marcha com maior rapidez, tanto por meio do kickdown quanto pela alavanca seletora.

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De acordo com o tradicional teste Carsale-Mauá, o crossover cumpriu a prova de aceleração de 0 a 100 km/h em 12,94 segundos. Já no quesito consumo, o modelo obteve as seguintes marcas: 6,8 km/l em trecho urbano e 12,1 km/l em percurso rodoviário, sempre abastecido com gasolina comum.

A adoção da nova caixa automática de seis velocidades por parte da Fiat não melhorou apenas o desempenho do Freemont, mas também o deixou mais competitivo perante os rivais, uma vez que o modelo conta com espaço interno, versatilidade para transportar uma família e lista de equipamentos bastante interessante para um veículo de sua faixa de preço e categoria.

Fiat Freemont 2014

Teste Carsale - Mauá
Aceleração (Tempo em Segundos)
Km / hNota
0 - 10012,94
Consumo (km/l)
Urbano6,8
Rodoviário (100 km/h)12,1

Ficha Técnica

Motor
Cilindrada Total2.360 cm³
Potência máxima
(ABNT / regime)
172cv / 6.000 rpm
Torque máximo
(ABNT / regime)
22,4 kgfm / 4.500 rpm
Alimentação
CombustívelGasolina
Câmbio
TraçãoDianteira com junta homocinéticas
Sistema de Freios
DianteiroA disco ventilado (0 de 330 mm) com pinça flutuante
TraseiroA disco sólido (0 de 328 mm) com pinça flutuante
Suspensão traseira
TipoMulti-link independente com barra estabilizadora
Direção
TipoHidráulica com pinhão e cremalheira
Rodas
Pneus225/65 R17
Peso do veículo
Em ordem de marcha (Std A)1849 Kg
Capacidade de carga531 Kg
Dimensões externas
Comprimento do veículo4.888 mm
Largura do veículo1.878 mm
Altura do veículo
(vazio)
1.750 mm
Distância entre-eixos2.890 mm
Tanque de combustível77,6 litros