corollaxcivicvinheta_DENOVO

Durante o lançamento do novo Corolla, na última semana, a Toyota assumiu claramente que a principal missão do modelo é retomar a liderança do segmento de sedãs médios, atualmente dominado pelo Honda Civic. Para isso, a marca apresentou a nova geração de seu principal carro, que nos últimos anos sofreu com a superioridade técnica do rival.

A seriedade dessa concorrência entre Civic e Corolla pode ser conferida nos números da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Em 2013, o sedã da Honda teve 60.970 emplacamentos, ante 54.103 do Toyota. Juntos, os dois modelos representam quase 49% do total de vendas da categoria.

Uma das estratégias utilizadas pela Toyota para atingir o seu objetivo foi deixar o Corolla menos conservador, com um visual mais moderno, de modo que atraia um público mais jovem. Além disso, o sedã utiliza uma versão evoluída e aumentada da plataforma da geração anterior, com novos elementos de segurança, e suspensão recalibrada. Sob o capô, o Corolla manteve os motores de 1.8 litro de 144 cv e 2.0 litros de 154 cv (potência com etanol), porém dotados de sistema de partida a frio. Mas as maiores novidades apresentadas pela Toyota são a oferta de transmissão CVT (continuamente variável), que substitui a antiquada caixa automática de quatro marchas, e a disponibilidade de cinco airbags (frontais, laterais e joelho do motorista) de série para todas as versões (a topo de gama, Altis, conta ainda com duas bolsas do tipo cortina).

Eterno duelo nipônico

O Carsale comparou os dois sedãs em suas versões de entrada, equipadas com transmissão automática (CVT, no caso do Toyota): Corolla GLi (R$ 69.990) e Civic LXS (a partir de R$ 68.890). Ambos levam sob o capô motores de 1.8 litro.

[wppa type=”slide” album=”70″][/wppa]

Estilo

Seguindo a nova identidade visual da Toyota, batizada de “Keen Look”, o sedã fabricado em Indaiatuba (SP) tem as mesmas linhas do carro vendido no mercado europeu – a versão norte-americana tem aparência mais esportiva. O Corolla perdeu um pouco a “caretice” do antecessor graças à carroceria mais angulosa e vincada. Na dianteira, os faróis mais alongados e a grade parecem formar uma única peça, enquanto na traseira as lanternas são ligadas por uma barra cromada no meio da tampa. Por dentro, o Corolla decepciona pelo painel de linhas horizontais com desenho um tanto sisudo e grafismo simplório até demais para um carro de sua faixa de preço. O interior contrasta plásticos de boa qualidade e material emborrachado com peças plásticas parecidas com as de carros chineses, como na alavanca do freio de mão. A montagem e o encaixe das peças, entretanto, é boa. Já o reloginho digital à la Ford Del Rey, posicionado acima do rádio, remete aos anos 1980 e destoa do restante do carro.

Apesar de enfrentar um adversário totalmente renovado, o Civic ainda aparenta querer impressionar pelo visual mais esportivo. Mas ao lado do Corolla, é possível notar como o sedã envelheceu visualmente perante o rival. No entanto, essa sensação termina ao abrir a porta do Honda. O painel, ainda um tanto futurístico para os dias de hoje, é dividido em dois andares, com o velocímetro digital posicionado acima do conta-giros analógico. O acabamento do modelo é mais caprichado devido o uso de tecidos e plásticos de qualidade superior.

corollacivicinteriores

Equipamentos

Tanto o Corolla quanto o Civic são bem equipados de série, mas cada um apresenta uma estratégia diferente para conquistar o consumidor. Enquanto o Toyota oferece mais segurança com a oferta de cinco airbags, o Honda disponibiliza mais mimos, como ar-condicionado digital e câmera de ré com visor no painel.

Deixando de lado essas diferenças, ambos saem de fábrica com direção eletro-assistida, freios com ABS (anti-travamento) e EBD (distribuidor eletrônico de frenagem), sistema de som com Bluetooth e conexões USB e auxiliar e comandos no volante, vidros, travas e retrovisores com acionamento elétrico, chave canivete, computador de bordo, coluna de direção com regulagens de altura e profundidade, rodas de liga leve de 16 polegadas, entre outros. Os dois modelos, no entanto, ficam devendo itens de segurança como controles de estabilidade e tração, presentes do Chevrolet Cruze, por exemplo.

Sob o capô

Os dois sedãs são equipados com blocos de 1.8 litro de 16 válvulas com comando variável, mas somente o Toyota tem sistema de partida a frio, que elimina a necessidade do reservatório auxiliar de gasolina. No Corolla, o propulsor desenvolve 139 cv de potência e 17,7 kgfm de torque a 4.400 rpm, quando abastecido com gasolina, e 144 cv e 18,4 kgfm a 4.800 rpm, com etanol. No Civic, o motor entrega 139 cv e 17,5 kgfm a 4.600 rpm, com o derivado de petróleo, e 140 cv e 17,7 a 5 mil rpm, com o combustível vegetal.

No quesito transmissão, o Corolla passa a ser equipado com uma moderna transmissão CVT que simula sete velocidades. Nas versões XEi e Altis, o sistema conta com borboletas atrás do volante e modo esportivo (acionado por meio de um botão no console central) que estica as marchas para favorecer o desempenho. Já o motor do Civic é gerenciado por um câmbio automático convencional de cinco marchas.

Comportamento

Ao volante, o Corolla evoluiu consideravelmente em relação ao antecessor. O sedã manteve o rodar macio, porém ficou mais firme na estrada. A nova transmissão CVT casou muito bem com o motor 1.8 e, por simular sete velocidades, não tem o comportamento típico desse tipo de sistema. Durante a condução é possível notar a caixa realizando as trocas de marchas. Desse modo, o desempenho do carro não é prejudicado em retomadas e ultrapassagens, por exemplo. Já a direção elétrica do Toyota ficou mais pesada em velocidades mais altas, deixando a dirigibilidade mais agradável e com maior sensação de segurança.

Conduzir os dois sedãs são experiências distintas e, por um instante, é possível esquecer que ambos são concorrentes. Enquanto o Corolla prioriza uma tocada mais macia e tranquila, o Civic apresenta um apelo esportivo ausente no rival. O modelo da Honda tem uma posição de dirigir mais baixa, e o painel com a seção central voltada ao motorista induz a explorar o que o carro tem a oferecer. Diferentemente do que ocorre no Corolla, a suspensão do Civic “transfere” as irregularidades do piso aos ocupantes por ter um acerto mais rígido. O sistema pode incomodar ao rodar em ruas esburacadas, mas agrada bastante em viagens por rodovias de asfalto liso. O câmbio automático do Honda trabalha em boa sintonia com o motor e responde prontamente quando é necessário realizar uma redução. A caixa do Civic, porém, poderia otimizar o desempenho do motor se tivesse a sexta marcha.

Segundo os dados divulgados pelas montadoras, os sedãs têm consumo parecido. Abastecido com etanol, o Corolla tem marcas de 7,8 km/l na cidade e 9,2 km/l na estrada. Com gasolina, as médias são de 11,4 km/l em percurso urbano e 13,2 km/l em trecho rodoviário.

Já os números do Civic, com o combustível vegetal no tanque, são os seguintes: 7,4 km/l rodando na cidade e 10,7 km/l na estrada. Com gasolina: 9,5 km/l e 13,4 km/l, respectivamente.

corollacivic2

O Corolla mostra uma clara evolução em comparação à geração anterior e apresenta credenciais para voltar a ser o líder do segmento. O modelo está menos conservador, passa a sair de fábrica com cinco airbags de série desde a versão de entrada e ainda ficou maior (cresceu 10 centímetros, totalizando 4,62 metros de comprimento e 2,70 m de distância entre-eixos). Já o Civic, embora custe R$ 1.100 a menos, conta com acabamento e lista de itens de conforto superiores. A decisão da compra de cada um vai depender muito do que busca o consumidor: um carro de perfil mais tradicional, dotado de mais equipamentos de segurança e que chega como novidade após passar por uma transformação, ou outro com uma pegada esportiva e ligeiramente mais refinado.