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Estará o Sul-Africano Elon Musk pronto para entrar para a história da indústria automobilística, a exemplo do seu criador Henry Ford? A questão é no mínimo instigante e, portanto, merece ser refletida.

No dia 16 de junho de 1903, aos quarenta anos, Henry Ford fundou a montadora Ford. O empreendedor estadunidense, ficou conhecido globalmente por ter sido o primeiro a aplicar os conceitos da produção em série de carros, contribuindo para o aumento da eficiência, a medida que reduzia o tempo e os custos de produção. O fordismo revolucionou a indústria automobilística da época, bem como os transportes nos Estados Unidos.

Passado pouco mais de um século, surge um outro ícone no cenário automotivo, cuja proposta poderá revolucionar a indústria automobilística global. Trata-se de Elon Musk que, concidentemente, aos quarenta anos iniciou a produção de carros elétricos com a marca Tesla, que começou a operar em 2011, e lançou o seu primeiro modelo 100% elétrico nos Estados Unidos, em junho de 2012.

É incontestável e surpreendente o que Musk tem feito. Desde que Henry Ford produziu o famoso modelo T, mais de cem anos se passaram (o modelo T foi lançado em outubro de 1908), e nenhuma grande mudança houve na concepção dos automóveis. No entanto, em apenas dois anos, pode-se dizer que Musk está fazendo uma verdadeira revolução na indústria automobilística.

O desafio de produzir carros 100% elétricos em massa parecia intransponível, especialmente aos olhares dos críticos, que zombavam de seu projeto. Convém lembrar que tentativa análoga havia sido experimentada pela GM em 1996, quando ainda detinha a prerrogativa de maior empresa do mundo, tendo sucumbido diante da promessa de colocar carros elétricos em massa no mercado, retirando o EV1 de circulação em 1999.

Musk, fundou a Tesla com uma pequena parcela de financiamento do governo dos Estados Unidos, e conseguiu produzir, entre outros, o Model S. Um carro confortável, moderno, com a maior autonomia de mercado entre os elétricos (em torno de 450 quilômetros com uma única carga) e com preço acessível (em torno de 64 mil dólares nos Estados Unidos, já deduzidos os incentivos), se comparado aos seus concorrentes diretos.

O fato é que em pouco tempo o improvável ocorreu. No ano passado, o 100% elétrico Model S, superou em 30% as vendas de seu rival mais próximo, o luxuoso Mercedes classe S com motor a gasolina. A montadora de Palo Alto, Califórnia, já conseguiu registrar um trimestre de lucro, e anunciou que poderá antecipar a devolução do empréstimo ao governo.

A Tesla apesar de incipiente, se tornou um fenômeno do mercado de carros. De acordo com a Associação de carros novos da Califórnia (California New Car Dealers Association-CNCDA), o Tesla Model S licenciou no ano passado 8.347 unidades. Globalmente, a montadora de carros elétricos vendeu em 2013, mais de 22 mil unidades.

Em 25 de fevereiro de 2014, as ações da Tesla voltaram a subir de cotação, elevando o valor da empresa para mais de 30 bilhões de dólares (a GM vale apenas o dobro). Entre os planos ambiciosos da empresa, encontra-se o lançamento previsto para os próximos três anos de um modelo E, um carro menor e com autonomia em torno de 370 quilômetros, que custará aproximadamente US$ 35.000. Também, encontra-se em andamento o projeto de carros elétricos autônomos, permitindo o deslocamento sem motorista (apenas por navegador do tipo GPS).

Rumores dão conta de que a Tesla e a Apple conversam para criar um carro elétrico ainda mais conectado eletronicamente. Fala-se inclusive na possibilidade da Apple comprar o controle acionário da Tesla, o que não seria nenhum absurdo.

Recentemente, Musk apresentou ao governo dos Estados Unidos da América um projeto para construção de uma giga fábrica de baterias de íon-lítio, onde seriam aplicados em torno de US$ 5 bilhões. O investimento previsto para 2017, ampliará a capacidade de vendas da Tesla para até 500 mil veículos por ano, além de gerar empregos para 6.500 pessoas. A fábrica ocupará área de cerca de dez milhões de m2, e será equipada com painéis para produção de energia solar e torres para geração de energia eólica, suprindo assim as necessidades da empresa.

Com a nova fábrica, Musk espera reduzir significativamente o preço das baterias. Atualmente, segundo especialistas do setor, o custo médio das baterias é de cerca de US$ 400 por quilowatt-hora. A Tesla pretende alcançar US$ 200 por quilowatt-hora, nos próximos três anos. A esse preço, as baterias se tornarão acessíveis, a ponto de servir como fonte de alimentação e backup para a indústria de energia elétrica. Projeto esse de grande interesse do governo norte-americanoo, entre outros.

Musk diz que um dia querer fabricar anualmente, e em uma única planta na Califórnia, meio milhão de carros movidos a bateria. Porém, primeiro quer superar 30 mil unidades em 2014. Ele parece mesmo ser um líder a frente de sua época, pois há quem diga que ele despacha de uma mesa localizada no meio da fábrica, ao lado da linha de montagem do Modelo S.

Alguns fatores são favoráveis aos planos de Musk. Governos sensíveis as Alterações Climáticas, por exemplo, estão se mobilizando para inibir as emissões antropogênicas, especialmente da indústria automotiva e dos transportes. Além disso, o desenvolvimento sustentável atrai, a cada dia mais, a atenção e o interesse de investidores globais.

Neste contexto, o Parlamento Europeu aprovou na penúltima semana de fevereiro de 2014, o regulamento mais severo do mundo contra as emissões de dióxido de carbono (CO2) originadas por automóveis. Os carros fabricados a partir de 2020, só poderão emitir o máximo de 95 gramas de CO2 por quilômetro, 25% menos que os 130 fixados para 2015.

Na América do Norte a situação não é muito diferente. A regulamentação da Environmental Protection Agency (EPA) prevê que os carros fabricados em 2020, só poderão emitir o máximo de 107 gramas de CO2 por quilômetro rodado.

Por tudo isso será que Elon Musk será mesmo o Henry Ford dos novos tempos? Isso só o tempo dirá, mas na dúvida é melhor os concorrentes abrirem bem os olhos, enquanto há tempo.