Primeiras voltas: VW up! chega para causar

Quando um carro estreia no segmento de entrada e dá um banho em modelos de todas as categorias em termos de segurança, ele merece seu respeito. Quando o mesmo sujeito ganha o título de carro mais barato para reparo, ele merece sua atenção. E se, de quebra, o mesmo fulano conquista nota A de consumo, merece que você reconheça que ele chegou para causar! E esse cara é o VW up!, que promete causar uma reviravolta no mercado brasileiro, causar inveja na concorrência e causar em muita gente uma vontade de ser levado para casa.

Substituto do Gol de quarta geração o compacto up! é um marco na história da Volkswagen mundial. E no Brasil não é diferente. Depois da dupla Fusca e Gol ele é o carro de maior apelo já lançado pela marca alemã no País (confira mais detalhes do up!).

A evolução é gritante em relação ao seu antecessor. E o preço, porém, é de R$ 4 mil a menos em relação ao atual Gol V — considerando ambos os modelos em suas configurações mais simples. O up! parte de 26.900 a R$ 39.390 (veja o preço e itens de série das seis versões). Só para constar, o up! chega como o sexto carro mais barato à venda no Brasil (acesse o ranking dos mais em conta).

Compacto e espaçoso, simples e moderno, o up! também prova que um carro de entrada não precisa ser desconfortável nem ter cara de “patinho feio”. E por falar em visual, o carrinho é assinado por um brasileiro, Marco Pavone, um dos designers da VW do Brasil.

A fabricante deu a entender durante a apresentação do modelo, que espera que ele se torne conhecido mundialmente como o novo Fusca. E isso não tem nada a ver com o New Beetle ou o esportivo Novo Fusca, mas sim com o modelo original, o famoso besouro. Isso porque a expectativa é de que ele se torne um sucesso de vendas em longo prazo. Especula-se, inclusive, que o carrinho dará origem a uma nova família de compactos. Mas isso é conversa para mais tarde. Mesmo assim é bom manter na mente que a VW tem a meta de se tornar a maior fabricante do mundo até 2018, com cerca de 10 milhões de unidades comercializadas. Então, amigos, novidades virão por aí!

Voltando a falar up!, ele foi apresentado pela primeira vez na Europa durante o Salão de Frankfurt de 2011. Por aqui , ele começa a chegar às concessionárias na próxima semana nas versões quatro portas. As configurações duas portas devem aparecer em cerca de dois meses.

Vale destacar que o hatch passou por algumas mudanças para se adaptar ao nosso mercado. As principais diferenças em relação ao modelo vendido no velho continente ficam por conta do tamanho (6,5 cm maior em comprimento), suspensão adaptada para o Brasil (2 cm mais alta ), capacidade para levar três pessoas atrás (no carro original são duas atrás), tampa do porta-malas em aço (no mercado europeu é de vidro).

Como anda o up! e seu motor um ponto zerão

Sabe aquela mania de achar que motor de baixa cilindrada é sinônimo de falta de fôlego? Esqueça isso. O bloco três cilindros do up!, o mesmo que equipa o Fox Bluemotion, acaba com essa falsa premissa. O novo conjunto da família EA211, presente nas seis versões do compacto, é dotado de tecnologia flex e rende 82 cv com etanol e 75 cv com gasolina, sempre aos 6.250 rpm. Seu torque é de 10,4 com etanol e 9,7 com gasolina aos 3.000 giros, sendo que 85% da força já está disponível desde 2.000 rotações.

Quer saber, na prática, o que esses números querem dizer? Simples, que este carro que “casa” perfeitamente com o motor. A potência e o torque são adequados para empurrar os seus 958 quilos (910 kg na versão mais leve). Já o câmbio de cinco marchas manual (o mesmo conjunto do Gol e Fox) continua agradável. A diferença é que ele teve as relações alongadas, o que ajuda a melhorar o consumo.

Durante o test-drive realizado no Rio Grande do Sul, partindo de Gramado rumo a Porto Alegre, o up! não desapontou. A versão escolhida pelo Carsale foi a move up!, que promete ser a mais vendida, segundo a VW.

Com três pessoas a bordo, a mesma quantidade de malas e ar-condicionado ligado (que por sinal funcionou muito bem sob o sol de 41 graus de Gramado), ele demostrou vigor durante toda a viagem. Por se tratar de um motor de baixa cilindrada, o desempenho não é de causar frio na espinha, mas também não deixa ninguém desapontado. Claro que é preciso subir o giro para que ele mostre sua força, afinal embora seja moderno e eficiente ainda é um 1.0 litro.

Na estrada, aos 100 km/h, o conta-giros marcou cerca de 3.000 rpm. E sabe aquele barulho inconveniente de giro alto? Pois bem, no up! isso é quase imperceptível. Mesmo na estrada, acima dos 100 km/h é possível conversar normalmente dentro do carro sem precisar subir o tom de voz. Fica registrado que o trabalho de isolamento acústico do up! merece elogios.

Em relação ao bloco de quatro cilindros o novo motor é 25 quilos é mais leve. Em termos de economia de combustível também ganha disparado: as médias são de 13,2 km/l em percurso urbano e 14,3 km/l em trecho rodoviário com gasolina, enquanto que com etanol, os resultados ficam em 9,1 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada, de acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem em que recebeu nota A. No trajeto do test-drive o nosso up! cravou 13,3 km/h, abastecido com gasolina — média bem próxima do valor informado pela VW.

Segundo a VW, o up! acelera até os 100 km/h em 12,4 segundos e atinge velocidade máxima de 165 km/h, abastecido com etanol.

Durante as próximas semanas o up! enfrentará o tradicional teste Carsale-Mauá para provar se os números de aceleração, retomada, consumo e outros dados estão de acordo com os valores repassados pela fabricante.

Vida a bordo do up!

Goste você ou não do visual do up!, não dá para negar que o desenho do carro tem personalidade própria e foge da mesmice encontrada no restante da linha VW. Ele e o novo Fusca são os únicos carros da marca que, vistos de longe, não são confundidos por terem o “focinho” igual ao dos irmãos. Porém, o mais interessante é que mesmo sendo diferente ele carrega sutilmente o DNA da marca.

O próprio criador do up! disse que as caixas de rodas pronunciadas foram inspiradas no Fusca original, enquanto a larga coluna C segue o padrão VW.

Por dentro ele também se diferencia do restante da gama VW. Seu interior é simples sem ser pobre. Segue a regra do “menos é mais”. Embora todos os acabamentos sejam em plástico duro é possível notar que há qualidade no material. Outro ponto que impressiona é o capricho na montagem. Não há peças mal encaixadas, nem rebarbas aparentes.

A posição de dirigir é bem acertada e os bancos dianteiros inteiriços são confortáveis. Já o volante é simples demais, bem diferente dos outros Volks. O que pode incomodar os mais baixinhos é a falta de ajuste de altura do cinto de segurança.

O espaço em geral agrada. Como não poderia deixar de ser, na frente é mais amplo. Atrás duas pessoas vão bem. Três adultos já é desconfortável. Destaque para os 285 litros disponíveis no porta-malas, que podem ser bem distribuidos com o uso de uma tampa que divide o compartimento em dois “andares”, garantindo praticidade na hora de acomodar a bagagem. Essa tampa já vem de série a partir desta versão intermediária move up!. Na versão de entrada, a take up, é oferecida por R$ 190.

O move up! parte de R$ 30.300 na versão quatro portas, igual a testada pelo Carsale. O exemplar escolhido para o primeiro contato estava completamente equipado. Contava com kit navegação maps & more e sistema de som (R$ 1.200); ar condicionado (R$ 2.750); vidros, travas e retrovisores elétricos (dianteiros) mais a chave canivete e alarme (R$ 1.100); direção elétrica com ajuste de altura (R$ 1.240); sensor de estacionamento traseiro (R$ 330), rodas de 14 polegadas (R$ 480); sistema de som com MP3, USB e ipod (R$ 530); alto falantes e tweeters (R$ 230). Com todos estes itens, o preço deste up! sobe para R$ 38.160 e quase encosta nos completões modelos topo de linha (black, white e red up!), oferecidos a partir de R$ 39.390.

Que o up!, seguramente, é uma boa opção para quem procura um compacto com preço razoável, que oferecça segurança e um motor eficiente, isso nem se discute. Mas quem estiver pensando em levar um up! para a casa vai ter que quebrar a cabeça para encontrar a melhor relação custo-benefício, de acordo com as necessidades. Isso porque o modelo de entrada oferece preço competitivo mas é peladão. O intermediário não conta com um item essencial: o ar condionado. Se equipada, a versão intermediária fica “salgada”, o que leva conslusão de que se você tem mais grana disponível o melhor é partir para a topo de linha. De qualquer forma, os predicados do carro deixam claro que vale a pena fazer as contas. E quem sabe um test-drive?

Viagem a convite da Volkswagen

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