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Após quatro anos de mercado e mais de 225 mil unidades vendidas, o Chevrolet Agile passou por sua primeira mudança. Lançado durante um período em que a General Motors do Brasil contava com uma linha de modelos desatualizada e a matriz norte-americana enfrentava dificuldades financeiras, o hatch foi desenvolvido com o que a companhia dispunha na época: a plataforma e o conjunto mecânico da segunda e terceira gerações do Corsa, respectivamente.

Embora contasse com uma farta lista de equipamentos e espaço interno generoso para um compacto, o Agile sempre teve o desenho controverso como o seu “calcanhar de Aquiles”. O visual retilíneo, com linhas desproporcionais, foi motivo de crítica desde o lançamento do modelo, em 2009.

Devido à renovação da gama de modelos da General Motors do Brasil nos últimos anos, o Agile se tornou obsoleto diante dos novos carros da marca, principalmente quando comparado ao Onix, um compacto mais moderno e montado sobre uma plataforma global. Por conta disso, a montadora da gravata dourada decidiu promover no final de 2013 uma renovação visual no hatch produzido na fábrica argentina de Rosário para deixá-lo mais competitivo frente aos novos – e mais atraentes esteticamente – rivais do segmento: Ford New Fiesta e Peugeot 208.

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Em 2013, o Agile ficou na sétima posição do segmento de compactos, com 30.120 unidades vendidas. O desempenho foi superior ao de modelos mais modernos, como o Nissan March (24.555 emplacamentos) e Peugeot 208 (20.729). Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Na linha 2014, o Agile é oferecido apenas na versão mais completa LTZ (a partir de R$ 44.090), a base da série especial Effect (R$ 46.140) que, segundo a GM, foi “criada para diferenciar e destacar a esportividade do compacto dentro de um mercado com grande volume de modelos”. A configuração mais barata, a LT, foi extinta para que o Agile deixasse de sofrer a concorrência interna do irmão caçula Onix.

A lista de equipamentos de série do Agile LTZ é formada por ar-condicionado, direção hidráulica, airbags frontais, freios com ABS (anti-travamento) e EBD (distribuidor eletrônico de frenagem), controle de cruzeiro, faróis de neblina, sistema de áudio com rádio AM/FM/CD/MP3/USB/Bluetooth, faróis com acendimento automático, volante com regulagem de altura, rodas de liga leve de 16 polegadas, entre outros itens. A transmissão automatizada Easytronic de cinco marchas é vendida como opcional por R$ 2.500.

Além do “tapa” no visual, que ganhou um conjunto óptico redesenhado e novos para-choques e grade frontal, o compacto recebeu melhorias nas transmissões manual e automatizada Easytronic – com borboletas para as trocas atrás do volante – ambas de cinco marchas. Já a cabine passa a ser montada com componentes em apenas uma tonalidade e conta com painel de instrumentos com novo grafismo e volante de base achatada.

No caso da série Effect, disponível apenas nos carros nas cores branco Summit e vermelho Chilli, o compacto recebe emblemas alusivos, rodas de liga leve de 16 polegadas escurecidas, faróis com máscara negra, kit aerodinâmico com spoilers dianteiro e traseiro, saias laterais, aerofólio na tampa do porta-malas e teto pintado de preto. Do lado de dentro há apliques em vermelho, bancos com apelo esportivo e soleiras de alumínio.

Sob o capô o Agile manteve o bloco Econo.Flex de 1.4 litro de 8 válvulas que entrega 97/102 cv de potência (gasolina/etanol) e 13,2/13,5 kgfm de torque a 3.200 rpm.

Desenho renovado não esconde a idade do projeto

Mesmo com o visual retocado, o Agile não consegue disfarçar a idade de seu projeto. É ao volante do hatch que se nota a sua defasagem em relação aos outros modelos da Chevrolet. Os pedais e direção deslocados para a direita, por exemplo, remetem à ergonomia dos irmãos de plataforma Celta e Classic. O motor confere desempenho satisfatório ao compacto na cidade, mas apresenta números inferiores ao aprimorado SPE/4 que equipa Onix e Prisma. Já a transmissão F15, embora tenha sido melhorada pelo departamento de Engenharia da GM, ainda tem engates mais longos e menos precisos que a ótima F-17, presente nos modelos montados sobre a nova plataforma GSV.

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Medindo 4,06 metros de comprimento, 1,68 m de largura, 1,54 m de altura e 2,54 m de distância entre-eixos, o Agile acomoda bem quatro ocupantes. Há bom espaço para as pernas e pessoas com pouco mais de 1,80 m de altura não correm o risco de encostar a cabeça no teto, um pouco mais elevado que o da maioria dos compactos. O porta-malas acomoda bons 327 litros de bagagem.

A posição de dirigir, embora seja parecida com a dos veteranos Celta e Classic, é fácil de ser encontrada e o motorista conta com boa visibilidade. O novo volante de base achatada, adotado para fins estéticos, auxilia na hora de entrar ou sair do carro por aumentar um pouco o espaço para as pernas do condutor. O câmbio, retrabalhado, tem acionamento macio, mas com engates um tanto longos. Já o sistema de suapensão tem bom acerto e filtra bem as imperfeições do asfalto, sem deixar o carro “molenga” em curvas mais rápidas.

O motor dá conta de levar o compacto de 1.076 quilos no percurso urbano, mas não mostra a mesma esperteza da unidade de força SPE/4 do Onix (pesa 1.067 quilos na versão LTZ 1.4).

No tradicional teste Carsale-Mauá, o Agile 2014 abastecido com etanol obteve as seguintes marcas: aceleração de 0 a 100 km/h em 12,55 segundos; consumo urbano de 7,2 km/l e rodoviário de 12,5 km/l. Com gasolina no tanque, a aceleração foi cumprida em 13,08 segundos e o consumo foi de 11,1 km/l em percurso urbano e 15,1 km/l em trecho rodoviário.

Bem equipado, o Agile foi criado durante um período em que a General Motors do Brasil estava limitada financeiramente para investir em novos projetos. Passada a crise, a companhia lançou modelos com construção mais moderna devido à utilização de novas plataformas e conjuntos mecânicos aprimorados. Gastando R$ 2.500 a mais, o consumidor interessado em um Agile pode levar para casa um Onix LTZ (R$ 46.590) – apesar de ser menos espaçoso, oferece bom espaço interno -, um modelo mais moderno que sai de fábrica com o sistema multimídia MyLink e ainda proporciona uma dirigibilidade bem mais agradável. Por valor semelhante, o cliente ainda pode optar por um Fiesta SE 1.6 (R$ 46.340) ou um Peugeot 208 Allure 1.5 (R$ 46.990).

Ficha Técnica

Agile Effect 1.4 2014
Motor
1.4 8V
Cilindrada (Cm³)
1.389
Potência (Cv)
97/102 (gasolina/etanol)
Torque (Kgfm)
13,2/13,5 (gasolina/etanol)
Câmbio
Manual de cinco marchas
Comprimento (m)
4,06
Largura (m)
1,68
Altura (m)
1,54
Entre-Eixo (m)
2,54
Peso (Kg)
1.076
Porta-Mala (l)
327
Suspensão
Independente, do tipo McPherson no eixo dianteiro e semi-independente, com eixo de torção no traseiro
Freios
Discos na dianteira e tambor na traseira, com ABS e EBD
Tanque (l)
54
Preço (R$)
R$ 46.140
Taxa de Compressão
12,4:1
Rodas
Liga leve de 16 polegadas
Direção
Hidráulica
Capacidade de Carga (kg)
379
Tração
Dianteira