Muscle-car passou por renovação visual inspirada no modelo de 1969 e no novo Corvette; bólido passa a ser equipado com sistema de entretenimento MyLink

Partindo de R$ 210 mil, Chevrolet Camaro fica com cara de mau e mais equipado na linha 2014

A Chevrolet apresentou na última sexta-feira (11) a primeira reestilização da quinta geração do Camaro, apresentada ao mundo em março de 2009 e lançada no mercado brasileiro no final de 2010. Além das alterações de estilo, o muscle-car recebeu melhorias nos materiais do acabamento interno e passa a ser equipado com o sistema multimídia MyLink. Ainda vendido em versão única, a SS, o Camaro tem preço inicial de R$ 210 mil (R$ 7 mil mais caro que a linha 2013).

De acordo com a Chevrolet, a dianteira do Camaro 2014 foi inspirada na versão mais nervosa ZL1 de 580 cavalos de potência, enquanto as lanternas traseiras remetem às do modelo lançado em 1969, ainda na primeira geração. O conjunto óptico ficou mais afilado, assim como a grade frontal. Maior, a entrada de ar do para-choque passa a ser a principal tomada de ar do motor. Segundo Carlos Barba, diretor executivo de Design da General Motors, “o novo desenho trouxe melhorias na aerodinâmica e na força descendente, favorecendo a economia de combustível e a estabilidade do carro”.

O executivo diz ainda que a sétima geração do Corvette, apresentada no Salão de Detroit no começo do ano, também serviu de espelho para o Camaro “por influenciar em linhas mais agressivas que remetem à atitude”. Por deixarem o carro com cara de mau, a montadora batizou as novas linhas do carro de “Mean Street Fighter”, algo como “Brigador de Rua Maldoso” em inglês.

Sob o capô, o esportivo manteve o enorme motor (todo em alumínio) de 6.2 litros V8 com duplo comando de válvulas variável, velas de irídio e bobinas individuais para cada cilindro, que funcionam de acordo com a demanda do acelerador. O sistema pode desativar as válvulas de até quatro cilindros para favorecer o consumo quando o propulsor não necessitar de toda a sua potência. A unidade de força desenvolve 406 cv a 5.900 rpm e entrega 57 kgfm de torque a 4700 rpm, e trabalha em conjunto com uma transmissão automática de seis velocidades com aletas para trocas manuais no volante e sistema de tração traseira.

A fabricante diz que o Camaro acelera de 0 a 100 km/h em “menos de cinco segundos” e atinge a velocidade máxima de 250 km/h, limitados automaticamente.

Dentro da cabine, o modelo passa a ser equipado com novos materiais, de qualidade ligeiramente superior ao da versão anterior, head-up display com grafismo renovado (além de um velocímetro digital, o dispositivo passa a exibir também um conta-giros). Mas a principal novidade para quem vai a bordo é a adoção do sistema de entretenimento MyLink. Semelhante ao aplicado recentemente às linhas S10 e Trailblazer, o equipamento é dotado de rádio AM/FM/USB/MP3 e alto falantes da marca Boston, GPS integrado e câmera de ré.

Volta (bem) rápida

A General Motors realizou o teste-drive do Camaro 2014 em sua pista circular do Campo de Provas de Cruz Alta, em Indaiatuba (SP). Na atividade foi possível conduzir o carro por apenas duas voltas no traçado que simula uma reta infinita. Por motivos de segurança, os carros disponíveis estavam com o limitador de velocidade programado para atuar a partir dos 160 km/h.

Baixo, comprido e largo (1,37 metro de altura, 4,83 m de comprimento e 1,91 m de largura), o Camaro proporciona uma posição de dirigir bem próxima ao chão. Embora a sua pegada esportiva seja bem evidente, o volante de diâmetro exagerado destoa do carro. O motorzão de 406 cv empurra o cupê com muita disposição e ainda emite um ronco bastante empolgante. Atingir os 100 km/h é praticamente imperceptível. A 160 km/h, o Camaro praticamente “desfila” na pista circular da GM, pois o conjunto motor/transmissão trabalham na marcha mais alta e a pouco mais de 3 mil rpm. A suspensão, apesar de dura, filtra com competência as imperfeições do asfalto.

Enquanto o desempenho do Camaro é digno de elogios, alguns detalhes que poderiam ter sido melhorados junto com a renovação visual podem decepcionar quem pode pagar mais de R$ 200 mil em um automóvel. A alavanca do freio de estacionamento continua posicionada ao lado do passageiro e longe do alcance do motorista. O sistema poderia ter recebido acionamento elétrico, um recurso disponível em carros que custam muito menos que o muscle-car da Chevrolet. Já o botão que aciona a regulagem dos espelhos é idêntico ao encontrado no finado Astra, por exemplo. 

Com mais de 3.600 unidades vendidas no Brasil desde o final de 2010, o Camaro ainda é a única opção no mercado a oferecer um motor de mais de 400 cv de potência por pouco mais de R$ 200 mil. O seu desenho inconfundível continuará atraindo olhares por onde passar, o que é ótimo a quem gosta de ser o centro das atenções. Um ponto que merece destaque é o fato de a Chevrolet disponibilizá-lo em seu portfólio como um carro de imagem, sem a ambição de querer comercializá-lo em grande volume. Essa postura da marca da gravata dourada poderia servir de exemplo à rival Ford, que está perdendo a chance de oferecer no mercado brasileiro o Mustang, outro ícone da indústria automobilística mundial.

Viagem a convite da General Motors do Brasil.

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