A Chevrolet Trailblazer foi lançada no mercado brasileiro em novembro de 2012 com a dura missão de substituir a bem-sucedida e polivalente Blazer. O modelo foi desenvolvido no Brasil, com a parceria de engenheiros da General Motors da Tailândia, dentro do projeto global da atual geração da picape S10.

Diferentemente da Blazer – famosa pela imagem de veículo destinado ao trabalho, especialmente por ainda fazer parte da frota de diversas forças policiais do País – o Trailblazer foi criado para atender especificamente à exigência de um novo tipo de consumidor: famílias grandes, endinheiradas e fãs de utilitários fartos em espaço interno e equipamentos. Por isso a Chevrolet aposta na oferta de sete lugares e uma generosa lista de itens de série.

O novo jipão da Chevrolet disputa espaço no segmento de utilitários esportivos médios, atualmente dominado pelo Toyota Hilux SW4, fabricado na Argentina. A Mitsubishi concorre na categoria com o Pajero Dakar, montado em Catalão-GO. Disponível em configuração única e completa, a LTZ, o Trailblazer é oferecido em duas motorizações: 3.6 V6 a gasolina (R$ 136.100) e2.8 turbodiesel (parte de R$ 162.690), esta últimatestada pelo Carsale. Ambas são equipadas com o câmbio automático de seis velocidades e sistema de tração nas quatro rodas com reduzida.

Mais equipamentos e mais cavalos

Embora seja um novato no mercado, o Trailblazer recebeu no final de agosto as suas primeiras modificações, deixando a linha 2014 mais competitiva frente à concorrência. Do lado de dentro, o SUV recebeu como novidade o sistema multimídia MyLink – que estreou no compacto Onix e agora está presente nas linhas Cobalt, Prisma e Spin – com novas funções, como leitorde CD e DVD e GPS integrado.

Mas a principal novidade ficou por conta de um “upgrade” no motor movido a diesel, que recebeu um coletor de admissão de plástico (antes era de alumínio), nova injeção de combustível, pistões redesenhados e um novo sistema de recirculação de gases. O trabalho da engenharia da GM surtiu efeito: agora o propulsor passa a entregar 20 cv e 3,1 kgfm de torque a mais. A unidadede força reconfigurada rende 200 cv e 50,1 kgfm a 2 mil rpm.

Mercado

De acordo com o relatório da Federação Nacional da Distribuiçãode Veículos Automotores (Fenabrave), o Trailblazer teve 263 unidades comercializadas no mês passado, totalizando 2.219 emplacamentos entre janeiro e setembro. Os números ficaram bem abaixo do principal rival, o Toyota SW4: 756 vendas em setembro e 8.612 no acumulado dos primeiros nove meses de 2013.

Conforto e robustez de sobra

Produzido na cidade paulista de São José dos Campos, o Chevrolet Trailblazer tem estrutura desenvolvida para suportar com maior robustez as torções estruturais impostas por situações críticas de terrenos acidentados (dificilmente enfrentados por quem paga mais de R$ 160 mil por um automóvel). A carroceria é montada sobre chassi e as suspensões, independentes na dianteira e traseira, garantem uma altura em relação ao solo de bons 23,2 centímetros, além de conforto mesmo em pisos mais castigados.

Medindo 4,87 metros de comprimento, 1,84 m de altura, 1,90 mde largura (sem contar os espelhos externos), o SUV oferece ótimo espaço interno por conta dos seus 2,84 m de distância entre-eixos. O modelo não lembra em nada a antiquada Blazer, que castigava os passageiros do banco traseiro, que quase se espremiam para acomodar as pernas no exíguo vão atrás dos assentos dianteiros.

No banco traseiro do Trailblazer três pessoas de até 1,80 mde altura viajam com conforto, sem precisar dobrar demais os joelhos. Já a terceira fileira, localizada no compartimento de bagagens, ao contrário do que muita gente acredita, pode acomodar dois passageiros de até 1,70 m com conforto igual ou superior ao da maioria das classes econômicas das principais empresas aéreas que operam no País.

O porta-malas acomoda apenas 205 litros de bagagem se todos os bancos estiverem sendo utilizados, mas a capacidade sobe para 878 litros s ea última fileira for rebatida.

Apesar de sair de fábrica bem equipado — direção hidráulica, ar-condicionado digital, sistema MyLink, interior revestido em couro, banco do motorista com regulagem elétrica, retrovisor interno fotocrômico, sensor de estacionamento traseiro, faróis de neblina, freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuidor de frenagem), airbags frontais, laterais e cortina, controles de estabilidade, tração e de velocidade em descidas, sistemas de partida em aclives e anticapotamento, entre outros –, o Trailblazer decepciona um pouco pelo fato de o acabamento interno (predominado por plástico duro) não condizer com a proposta e o preço do utilitário.

Cavalaria dócil

O primeiro contato com o SUV foi no complicado trânsito de São Paulo, deixando claro que o ambiente urbano não é o seu habitat (apesar de muitos donos de utilitários utilizarem os seus veículos majoritariamente em cidades). Embora o motor entregue toda a sua força logo a 2 mil rpm, o Trailblazer parece um peixe fora d’água ao tentar mover os seus quase 5 metros de comprimento em meio ao mar de automóveis. No entanto, o conforto interno e o sistema MyLink ajudam a amenizar o anda e para dos congestionamentos.

Quando há espaço para deslanchar, o Trailblazer não decepciona e embala com facilidade. Na estrada, retomadas são feitas quase sempre sem a necessidade de reduzir as marchas. As trocas são feitas com suavidade pela caixa que opera em sintonia com o motor.

Rodando a 100 km/h o jipão tem rodar suave graças ao sistema de suspensão bem acertado e pneus de uso misto de medidas 265/60 R18, que calçam rodas de liga leve de 18 polegadas.O consumo registrado pelo computador de bordo não superou os 7 km/l, com o ar-condicionado ligado a maior parte do tempo.

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