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Quase sempre aparece alguém na mídia dizendo que o carro elétrico não pegou. Aliás, houve um caso em que um dirigente de uma montadora veio a público declarar que os veículos elétricos não fazem parte de sua estratégia de negócio. Por outro lado, há quem afirme que “investimento em carros elétricos não é aposta, é certeza.” Diante dos extremos, quem estará com razão?

Para justificar o pessimismo com os VEs, alguns citam o volume de vendas como sendo inexpressivo, pois não passam de três por cento. Não há nada de errado no fato de algum fabricante dizer que não pretende investir em veículos elétricos. Cada um cria a sua estratégia de crescimento, e somente o tempo dirá quem tem ou não razão. Decidir comprar ações da empresa X ou Y, é uma questão de escolha do investidor. Por exemplo, quem investiu nas ações da Tesla (montadora de veículos elétricos) não deve ter muito do que reclamar.

Para entender melhor o assunto, talvez seja necessário aprofundarmos na análise do desempenho das vendas. Naturalmente, conseguir números globais de vendas de veículos híbridos e elétricos, não é uma tarefa fácil. Então, para fundamentar os argumentos seguintes, escolhi o mercado dos Estados Unidos, por ser o mais maduro globalmente.

Porém, antes de entrar na análise, é preciso levar em conta (como já afirmei em artigos anteriores) quenão é correto comparar as vendas de carros elétricos com as vendas totais.O VE é um produto para os grandes centros urbanos, portanto deve ser comparado com as vendas das regiões onde são comercializados. Por exemplo, o total de vendas de carros elétricos em Los Angeles, deve ser confrontado com as vendas totais de carros de Los Angeles e não de todo o país, como normalmente ocorre.

Analisando as vendas de veículos híbridos, plug-in e elétricosnos Estados Unidos observamos que em julho de 2013, foram vendidos 3.093 veículos 100% elétricos, contra 492 no mesmo mês do ano anterior, resultando em um um crescimento significativo de 528,6%. Já no acumulado dos sete primeiros meses deste ano, foram licenciados 25.405 elétricos, contra 4.082 exemplares no mesmo período do ano anterior, o que também gera alta expressiva de 522%.

Fico imaginando,como pode um produto com crescimento acima de 500% ser considerado inexpressivo?Será que todas as marcas que estão investindo em veículos elétricos estão na direção errada?

Considerando as vendas de híbridos convencionais nos Estados Unidos, somente em julho deste ano foram registradas 41.805 unidades, contra 28.752 computadas no mesmo período de 2012, ou seja, crescimento de 45,4%. Já os modelos híbridos plug-in emplacaram no sétimo mês 3.499 unidades, contra 2.537 no último ano, representando elevação de 37,9%.Somados os três segmentos — híbridos, Plug-in e elétricos –, foram licenciadas em julho 48.397 unidades, contra 31.891 no mesmo mês do ano anterior, gerando alta de 52,28%.

Na lista dos carros elétricos mais vendidos em julho deste ano nos Estados Unidos oNissan Leaf aparece em primeiro lugar, com 1.864 unidades (crescimento de 371,9% sobre o mesmo mês do ano anterior), seguido de perto pelo Chevrolet Volt, que licenciou 1.788 unidades (queda de 3,30% sobre o mesmo mês do ano anterior).

Em termos de fabricantes, a Toyota é líder absoluta quando o assunto são veículos em híbridos. A fabricante nipônica conseguiu emplacar 32.799 unidades em julho e, com isso, houve crescimento superior a 42% em relação ao mês anterior. Em segundo lugar nas vendas de híbridos está a Ford, que licenciou no sétimo mês 6.667 unidades e, obteve crescimento em torno de 280%, sobre o mesmo mês do ano anterior. Vale salientar que atualmente, dez montadoras nos Estados Unidos, já oferecem aos clientes trinta modelos de veículos “verdes”.

Logo, diante de declarações de que os carros elétricos ainda não “pegaram”, que os seus volumes de vendas são inexpressivos, que os clientes não desejam comprar carros elétricos, entre outras desculpas pessimistas, só há duas coisas que podemos pensar: ou os números não refletem a realidade, ou alguém pode estar olhando o binóculo pelo lado contrário.