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Atualmente, mais de 40 modelos híbridos convencionais estão disponíveis, por montadoras do mercado de massa, a exemplo da Toyota, que é a líder no segmento de híbridos, Ford, GM e marcas de luxo, como BMW, Mercedes-Benz e até a Ferrari. Notícias revelam que as vendas de híbridos representam cerca de 3 por cento das vendas totais da indústria automobilística norte-americana.

Aparentemente, a participação é baixa, mas é preciso levar em conta alguns aspectos não considerados por quem divulga este tipo de notícia. O primeiro é que não é correto comparar a venda de híbridos e elétricos com as vendas totais, pois elas são destinadas a grandes centros urbanos, e não a todo o país. Logo, se fizessem a conta considerando os principais centros urbanos onde eles são comercializados, o resultado seria muito diferente.

Também, é preciso considerar que o número de modelos de carros híbridos e elétricos ainda é pequeno, quando comparado com os seus pares a combustão interna.

Finalmente, levando em conta que a Fiat (que é líder de vendas do mercado brasileiro), vendeu no acumulado de janeiro a junho deste ano, em torno de 302 mil carros e juntas todas as montadoras no Brasil, em junho de 2013, venderam 233 mil automóveis no mercado doméstico, perceberemos que o volume de vendas de VE e híbrido não é tão irrelevante, quanto pode parecer a um analista menos atento.

Há muitos motivos para o crescimento das vendas não ser rápido. Entre outros, temos que considerar que há uma gigantesca infraestrutura petrolífera, que não vai ceder espaço facilmente. É assim com quase tudo na vida. Afinal de contas, quando se ganha dinheiro com um determinado modelo de negócio, mudar nem sempre é fácil.

Então, do que adianta o consumidor desejar um produto se ele não está disponível, ou quando está, custa muito mais caro e não tem condições ideais de uso? Para muitos consumidores, o preço é o fator mais importante na escolha de um bem. Nos Estados Unidos, apesar do crédito de imposto federal de US$ 7.500 para veículos plug-in e 100% elétricos, o preço final desses produtos ainda fica muito acima dos modelos a combustão interna.

Por exemplo, o preço do Ford Fusion básico, movido a gasolina lá, é de US$ 21.900. Já a versão híbrida convencional do carro vai para US$ 26,200 e o modelo plug-in não sai por menos de US$ 38.700.

Agora eu pergunto, se a situação fosse inversa, onde o VE e híbrido custassem menos, tivessem mais ofertas do que os de combustão interna, infraestrutura robusta e incentivos dos governos, você acha que o quadro seria o mesmo? Claro que não! É fácil imaginar que eles estariam vendendo muito mais, não é mesmo?

Diante de tudo isso, muitos podem imaginar que será sempre assim. Aliás, esses dias eu conversava com um amigo sobre o assunto, e ele me disse: “eu tenho quase 70 anos de idade e, desde criança, ouço dizer que as reservas de petróleo reduziriam. No entanto, o que vi foi o contrário. Elas cresceram e a oferta de seus derivados, também”.

Porém, há pelo menos quatro fatores que confrontam argumentos desta natureza:

+O primeiro é que a demanda pelo petróleo cresce muito, e logo não poderá atender a todos.

+O segundo é o componente meio ambiente. Sabemos que a queima de produtos derivados do petróleo é nociva, e precisa ser equacionada.

+O terceiro é que as pessoas estão mais sensíveis aos apelos de sustentabilidade. Com a globalização da internet, não será nada fácil evitar o tema, que a cada dia mais influenciará os lucros das empresas e o comportamento de governantes.

+E finalmente o quarto é que os países dependentes de Petróleo não vão passar o resto da vida queimando combustível fóssil, sem qualquer controle sobre a oferta do produto. Cedo ou tarde ampliarão os investimentos em energia renovável.

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