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Até o momento é inegável que a liderança na venda de carros híbridos e elétricos pertence a duas montadoras japonesas: Toyota e Nissan. Mas elas não estão sozinhas nesta disputa.

Todas as grandes montadoras têm modelos híbridos ou elétricos sendo comercializados, ou em fase de lançamento. É bem verdade que a maioria delas parece não levar o veículo elétrico muito a sério, mas também não deseja desconectar a imagem da empresa com os apelos de sustentabilidade.

A Toyota foi a primeira a investir em veículos híbridose já colhe bons frutos. Aliás, somente o modelo Prius, lançado em 1997, já vendeu mais de três milhões de unidades.A Nissan foi de longe a que mais investiu nos carros elétricos, e fez do Leaf o líder global de vendas. Mas,a Ford poderá se tornar a grande surpresa do mercadodeste segmento.

Desde 2010, a montadora norte-americana vem investindo enormemente em pesquisas. Aliás, neste ano ela premiou treze grandes universidades globalmente, pelos ótimos resultados nas áreas de impacto ambiental, economia de combustível e baterias para veículos elétricos. Entre elas estão: Wayne State University (Detroit), Universidade de Stanford (Califórnia); RWTH Aachen University, (Alemanha) e Universidade de Tsinghua (China).

A Ford faz das pesquisas a sua força motriz para alavancar as inovações. Para isso, atualmente, ela mantém investimentos junto a vinte e seis universidades pelo mundo, que atuam em trinta projetos. As principais são: MIT, Michigan, Northwestern (nos Estados Unidos) e Jiaotong University, Nanjing University,Chongqing University (na China), RWTH Aachen University (Alemanha), entre outras.

A companhia revelou que em junho deste ano que vendeu, entre híbridos e elétricos, 46.197 unidades, o que representa um aumento de mais de 400% sobre o mesmo mês de 2012. Os modelosC-MAX Hybrid e o C-MAX Energi Plug-in Hybridtêm tido boa aceitação.

Diante disso, a Ford anunciou investimento de US$ 50 milhões para continuar a expandir a sua participação no mercado de veículos híbridos e elétricos nos Estados Unidos. Uma das áreas a serem contempladas com os novos investimentos será a engenharia, que passará a contar com aumento de 50% no seu quadro de engenheiros. Já o setor de eletrificação passará a contar com 500 profissionais.

Pelo que tudo indica, a montadora deverá ser a líder da América do Norte no segmento de carros híbridos e elétricos. Isso poderá provocar a concorrente General Motors, que teve duas oportunidades para fazer do carro elétrico um sucesso de vendas. Entre 1996 e1999, a GM se tornou a primeira montadora global a produzir em massa um carro elétrico que fez relativo sucesso, o EV1. Porém, em 2002, ele foi retirado de produção.

No início desta década, a GM voltou de forma discreta a produzir carros elétricos. As vendas do Volt não decolaram, mas há boas expectativas para o modelo Spark. Muita gente não acredita que a GM leva a sério os projetos de veículos elétricos. A companhia tem claras pretensões de voltar ao topo do ranking de maior montadora do mundo. Daí, o motivo de os críticos dizerem que ela prefere concentrar os esforços para aumentar a eficiência dos motores de combustão interna.

A GM é uma gigante, mas alguns líderes do passado erraram feio em suas apostas. A empresa perdeu a liderança global para a Toyota e, se não fosse a ajuda do governo dos Estados Unidos, a sua história poderia ter sido interrompida.

Evaldo Costa é Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil, escritor, conferencista e colunista do Carsale.