Utilitário chinês montado no Uruguai oferece farta lista de série por R$ 52.777

Lifan reestreia apostando no completo SUV X60

A chinesa Lifan Motors oficializa a sua reestreia no Brasil com o lançamento do utilitário esportivo X60, apresentado para a imprensa na quarta-feira (15), em Punta Del Este, no Uruguai, país onde o modelo é montado na cidade de San José.

A palavra reestreia define perfeitamente o momento da marca no mercado brasileiro já que desde outubro de 2012 a própria fabricante resolveu assumir totalmente a operação antes controlada por outra representante. Para dar conta do recado, instalou uma sede administrativa em Salto (SP).

A partir de agora, esqueça aquele carrinho com cara de clone do Mini Cooper, chamado de 320, e o fracassado sedã 620 (difícil de ser lembrado, já que poucas unidades foram vendidas), pois ambos, definitivamente, deixaram de ser importados. Neste momento o único modelo à venda pela Lifan no Brasil é o X60. “Queremos fazer o X60 se transformar na cara da Lifan do Brasil”, ressaltou o Diretor de Marketing da Lifan, Luiz Zanini, durante a apresentação do carro.

Ainda em clima de otimismo e renovação, o simpático fundador da Lifan Motors, Yin Mingshan, 74 anos, garantiu que estuda a implantação de uma fábrica no Brasil, mas informou que isso dependerá do ritmo das vendas na região. Preocupado em reverter a má imagem deixada pela marca nos últimos anos, Yin garantiu que os clientes que optarem por comprar um carro da Lifan não precisarão se preocupar com a falta de peças. “Teremos uma base de concessionárias sólida, que irá atender bem. Antes mesmo de os carros chegarem às lojas, enviaremos peças para abastecê-las”, garantiu o executivo.

Inicialmente a rede contará com apenas 25 concessionárias, sendo que o objetivo é de chegar até o final do ano com 50 lojas espalhadas pelo País. E se a quantidade de revendas parece pouco, isso não assusta os chineses que, pelo menos neste início, têm consciência de que o volume de vendas do X60 não será dos maiores. A expectativa é que sejam emplacadas cerca de 400 unidades do SUV por mês.

Oferecido por R$ 52.777, o X60 é a arma da Lifan contra o conterrâneo Chery Tiggo, a dupla de sucesso Ford EcoSport e Renault Duster e até mesmo o Hyundai Tucson, citados pelos executivos como os seus principais concorrentes.

Seguindo a cartilha dos carros chineses, o X60 aposta em um pacotão recheado de série para atrair os consumidores acostumados a ter que pagar (caro) para incrementar o carro com opcionais. Além disso, sai de fábrica com cinco anos de garantia e assistência 24 horas, válida para todas as regiões do País.

Em termos de tecnologia o X60 conta com itens vistos em veículos de categorias superiores, como sistema multimídia com DVD, GPS, MP3, Bluetooth, CD Player, entrada USB e tela de 7 polegadas, volante multifuncional, câmera de ré e sensor de estacionamento. Oferece também ar-condicionado, vidros elétricos em todas as portas e ajuste elétrico dos espelhos retrovisores.

No quesito segurança, traz airbag duplo frontal e sistema de freio a disco nas quatro rodas com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição da força de frenagem) e até mecanismo de fixação de cadeiras para crianças do tipo Isofix. Não há controle de estabilidade.

O interior do SUV é uma surpresa, em dois sentidos. À primeira vista, pode fazer muita gente torcer o nariz, uma vez que aposta na mistura de cores bege e cinza, algo raro aqui no Brasil (e até tido como brega ou conservador), mas que possui boa aceitação no mercado chinês. A segunda surpresa, esta mais positiva, é entrar em um carro chinês e encontrar peças com bom encaixe e sem rebarbas aparentes. Isso demonstra que a Lifan está evoluindo, quando comparamos o X60 com os seus carros anteriores. Por outro lado, o plástico utilizado em praticamente em todos os lugares do habitáculo não é muito agradável ao toque.

Já os bancos forrados em couro ecológico são confortáveis, rígidos e largos. Para quem gosta de viajar com folga, o X60 é uma boa opção. Há uma abundância de espaço para pernas, principalmente para os ocupantes traseiros. Para efeito de comparação, a distância entreeixos é de 2,6 metros, o que garante vantagem em relação ao Ford EcoSport (2,52 m) e Chery Tiggo (2,51), mas não supera o Renault Duster (2,67 m).

Mas foi na hora de encontrar a melhor posição para dirigir que algumas falhas do veículo começaram a aparecer. A primeira delas é que não há ajuste de altura dos bancos dianteiros. Pelo menos o volante conta com a regulagem vertical. Mas, atenção, cuidado com a alavanca responsável por movimentá-lo. Sua descida é brusca e, se não tomar cuidado, pode “pegar” o dedo. Outra falha observada durante o test-drive foi a moldura que envolve a maçaneta da porta do lado do passageiro dianteiro ter se soltado.

Em movimento, o SUV apresentou bom desempenho. Equipado com um motor 1.8 litro 16V de 128 cavalos de potência e 16,8 kgfm de torque, o modelo mostrou que é capaz de dar conta dos seus 1.330 kg. O conjunto desenvolve bem na estrada, faz boas retomadas e ultrapassagens com segurança.

Já o isolamento acústico não é dos melhores. Mesmo com os vidros fechados, ouve-se o ronco grave do motor. No momento em que se pisa mais fundo e o giro sobe, o ruído invade a cabine por completo e passa a incomodar os ocupantes. Outro item que merece uma ressalva é a embreagem, que possui posição alta. Além disso, por ser dura prejudica o conforto. E por falar em conforto, quem gosta de câmbio automático terá que esperar. Por enquanto, o X60 só é oferecido com transmissão manual de cinco velocidades. Mas os chineses da Lifan já garantiram que futuramente o modelo passará a contar com o conjunto automático. O sistema de tração é dianteiro.

Deixamos para falar do visual exterior do X60 por último, pois é aí que se concentra a polêmica. Esse Lifan te lembra algo? Poderíamos dizer que a dianteira remete aos Hyundai Tucson e Santa Fe, que o perfil também se assemelha a estes carros e que a traseira é um misto de algumas coisas, incluindo o Chevrolet Equinox, vendido no mercado norte-americano.

A Lifan já mostrou que não tem medo de copiar quando lançou o 320, considerado uma cópia simplificada do Mini Cooper. Porém, mais uma vez, os chineses não dão o braço a torcer. Questionada a respeito de a marca ter a fama de copiar outros carros, a estratégia da Lifan foi fugir do assunto. “Vocês estão acostumados a ver muitos carros por aí e pode ser que algum deles lembre o nosso modelo”, explicou calmamente um dos executivos e encerrou o assunto. Fato é que até o nome se parece, e muito, com o de um conhecido nosso, o Volvo XC60. Coincidência também, Lifan?

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