Terceira geração do sedã aposta na renovação visual e na farta lista de série para enfrentar Civic, Corolla, Jetta, Elantra e Cruze; parte de R$ 67,5 mil

Teste rápido: Kia Cerato mira rivais maiores

Terceiro veículo mais vendido pela Kia no mundo e segundo no Brasil, o Cerato chega ao País totalmente renovado. A terceira geração, que está sendo chamada pela fabricante coreana de All New Cerato, recebeu uma injeção de estilo para voltar a ser desejada. Se tudo caminhar conforme os planos da Kia, o sedã deve fechar este ano à frente do SUV Sportage e se consolidar como o modelo mais comercializado pela marca no mercado brasileiro, com volume estimado em 10 mil unidades.

A nova e moderna "cara" do Cerato é obra do renomado designer alemão, Peter Schreyer, que desde o final do ano passado ocupa o cargo de presidente da Kia Motors. O resultado das atualizações feitas no sedã garantiu, além de um visual agradável aos olhos (e mais próximo dos  irmãos maiores e mais caros, Optima e Cadenza), também a ampliação de algumas medidas, o que se traduz em mais espaço e conforto. Agora ele possui 4,5 metros de comprimento (3 centímetros a mais) e 2,70 m de entre-eixos ( 5  cm a mais).

Mais encorpado, o Cerato passa a enfrentar rivais da categoria de sedãs médios. Segundo a Kia, os principais concorrentes são as versões intermediárias dos modelos Honda Civic, Hyundai Elantra, Toyota Corolla, Volkswagen Jetta e Chevrolet Cruze – o Renault Fluence não foi citado.

Disponível em duas versões, os preços sugeridos são de R$ 67,5 mil para a configuração equipada com transmissão manual de seis marchas e R$ 71,9 mil no caso do automático, também de seis velocidades. Nos dois casos o motor utilizado continua sendo o mesmo da geração anterior, ou seja, o Gamma 1.6 litro bicombustível, que gera 122/128 cavalos de potência abastecido com gasolina e etanol, nessa ordem.

De série, o Cerato traz ar-condicionado digital, computador de bordo, volante multifuncional, rádio CD/MP3 com conexões USB e iPod, vidros elétricos nas quatro portas, controle eletrônico de velocidade, retrovisores com regulagem elétrica e rebatimento, airbags frontais duplos, direção elétrica com três modos de condução, freios a disco nas quatro rodas com ABS (antitravamento), sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, entre outros itens. Embora seja um pacote recheado, o sedã peca por não oferecer conexão Bluetooth e GPS.

Por dentro, não dá para negar que o acabamento evoluiu. Tanto o painel de instrumentos como o central foram atualizados. Porém, a adoção de detalhes quadriculados, que imitam fibra de carbono, pode remeter a modelos de segmentos inferiores, entre eles alguns veículos da Fiat.

Outro ponto observado é que os passageiros que vão na frente podem desfrutar de um acabamento superior, já que algumas partes do painel central e das portas contam com revestimento de toque macio, o que atrás foi substituído por um plástico mais duro e simples. Já o cinto de segurança traseiro central é do tipo dois pontos (abdominal). Em termos de espaço, porém, todos os ocupantes se dão bem.

De Cerato na ilha

O Carsale participou do test-drive da nova geração do Cerato, na Ilha de Itaparica (Bahia). Durante cerca de 90 quilômetros a bordo do sedã – 30 km ao volante – três jornalistas puderam se revezar e experimentar todas as perspectivas do carro. O modelo avaliado contava  com transmissão manual de seis marchas. E por falar em transmissão, o conjunto possibilita trocas rápidas, de maneira precisa e trabalha em harmonia com o motor.

Mas é no motor que se encontra o calcanhar de Aquiles do Cerato. Conhecido por equipar o Kia Soul e o Hyundai HB20, o propulsor é elogiável, só que perde parte do brilho quando utilizado em um sedã do nível do Cerato. Fica a sensação de que falta algo. E o que falta tem nome: potência e torque. Só para se ter uma ideia, todos os concorrentes citados pela marca coreana (Civic, Elantra, Corolla, Jetta e Cruze) são equipados com propulsores maiores, 1.8 ou 2.0.

Como trabalha em rotações altas para dar conta de acelerações e retomadas vigorosas, o ruído do motor pode ser percebido dentro do carro, mesmo com os vidros fechados. Não é algo que impossibilite a conversa entre os ocupantes, mas em uma viagem prolongada pode incomodar os mais críticos.

Rodando em trechos com piso plano e asfalto de boa qualidade a suspensão trabalhou de maneira firme e, ao mesmo tempo, se mostrou confortável. Uma novidade que merece ponto positivo é o sistema que possibilita selecionar três modos de direção (normal, conforto e esporte). Cada um deles varia o peso da direção para privilegiar o menor esforço ou a esportividade.

Em um segmento em que os concorrentes tendem a ter um visual mais “careta”, o Kia Cerato tem tudo para se destacar, já que leva a assinatura de um dos designers mais bem-sucedidos da atualidade. A lista de equipamentos de série também conta ponto a favor. Resta saber se o motor mais "modesto" não vai ofuscar parte deste brilho.

[wppa type=”slide” album=”10857″][/wppa]