Remodelado, modelo ganhou mais espaço, motor 1.6 turbo e câmbio de sete marchas

Mercedes-Benz Classe B chega por 115.900

Antecipando-se à avalanche de lançamentos do Salão do Automóvel de São Paulo, que abre as portas ao público no próximo dia 24, a Mercedes-Benz apresentou nesta quinta-feira (4) a nova geração do Classe B, totalmente remodelada. As versões que chegam ao Brasil – B 200 Turbo e B 200 Turbo Sport – contam com a carroceria inteiramente redesenhada, motor de 156 cavalos de potência com injeção direta e turbocompressor, transmissão automática de sete velocidades e suspensão independente nas quatro rodas. O que já é um belo pacote, sobretudo por ostentar a chancela centenária com a estrela de três pontas.

Além disso, o novo Classe B traz uma lista de equipamentos de última geração, incluindo o Hold Assist, que dispensa o freio de mão nos semáforos, entre outros apelos tecnológicos. Mas a falta de alguns itens esperados em um modelo desta categoria de preço e de público também deve ser considerada. O novo Classe B chega com preço inicial de R$ 115.900 (B 200 Turbo) e de R$ 129.900 (B 200 Turbo Sport).

Estilo e ótimo espaço

Legítimo crossover, o Classe B mistura características dos sedãs como o conforto, o desempenho e a estabilidade, com as de utilitários esportivos, tais como espaço interno amplo, robustez e versatilidade de uso. Nesta segunda geração (a anterior foi lançada em 2006), que integra uma linha de carros compactos da marca inteiramente nova, o Classe B ficou maior, com nove centímetros a mais no comprimento e 4,6 cm na largura, enquanto o teto teve a altura reduzida em cinco centímetros, conferindo ao modelo o coeficiente de penetração (cx) de apenas 0,26 e uma silhueta mais encorpada, porém muito harmoniosa e esportiva.

As formas musculosas nas laterais contrastam com os vincos retilíneos da linha de cintura e do capô. A versão B 200 Turbo Sport se destaca pelos diversos diferenciais externos, como faróis bi-xenônio com lanternas em LED, grade dianteira com frisos transversais prateados, capas dos retrovisores externos em preto brilhante, difusor traseiro e ponteira dupla do escapamento cromada, além de rodas de liga leve aro 18”, entre outros detalhes. No banco traseiro, o espaço para as pernas é suficiente para que até os mais altos viajem com conforto. Já o porta-malas pode acomodar até 488 litros de bagagem, ou 1.547 litros com o encosto traseiro rebatido.

Pequeno poderoso

Mais compacto e potente do que o da versão anterior, o motor a gasolina de quatro cilindros e 16 válvulas do novo Classe B, todo em alumínio, tem apenas 1.600 cm³ de cilindrada. Entretanto, seu sistema de alimentação conta com turbocompressor e com a terceira geração do sistema de injeção direta BlueDirect, da Mercedes Benz, que inclui bicos injetores elétricos.

De acordo com a fábrica, o resultado, além do aumento de desempenho, é um salto considerável na economia de combustível e redução de emissões. Assim, ambas as versões do modelo dispõem de 156 cv e 25,4 kgfm de torque máximo, entre 1.250 e 4.000 rpm. A transmissão de dupla embreagem de sete marchas (7G-DCT), permite trocas no modo manual, por meio de borboletas atrás do volante.

A alavanca de câmbio do novo Classe B foi substituída pelo sistema Direct Select, que permite a operação de funções por meio de uma haste posicionada na coluna de direção, à direita do volante. Com esse conjunto, a aceleração até 100 km/h é feita em torno de 8,4 segundos e a velocidade máxima é de 220 km/h.

As suspensões independentes nas quatro rodas, com quatro braços no conjunto traseiro, inclui a última palavra em Programa Eletrônico de Estabilidade, o ESP9. A versão Sport conta com a suspensão Avantgarde, que proporciona ainda mais firmeza nas curvas. Além do ABS, o sistema de freios do novo Classe B agrega o recurso para o pré-tensionador do pedal, que mantém as pastilhas bem próximas aos discos, reduzindo o tempo de reação à frenagem e aumentando a eficiência do conjunto.

Fora isso, traz, de série, as funções Brake Hold, que mantém o freio acionado sem necessidade de pressionar o pedal no semáforo, por exemplo, até que o carro seja reacelerado e o Hill Hold function, que impede o veículo de recuar ao arrancar em uma subida.

Requintado

O interior do novo Classe B é sofisticado e muito bem acabado. Os bancos são revestidos em couro sintético e as molduras têm acabamento em colmeia. O volante de direção, forrado em couro, incorpora os comandos do sistema de som e do computador de bordo. O quadro de instrumentos tem quatro mostradores analógicos e, no centro do painel, se destaca a tela digital de 15” do sistema multimídia, com comando por meio de um joystick instalado no console central – mas que, entretanto, não oferece sistema de navegação por satélite. Outro item não oferecido pelo Classe B é o ajuste elétrico dos bancos dianteiros.

Por outro lado, de série, as duas versões trazem o sistema Attention Assist, que detecta sonolência do motorista e alerta para uma parada de descanso, aviso eletrônico da eventual perda de pressão dos pneus run flat (que podem rodar mesmo vazios), sistema de direção eletromecânica e sete airbags, incluindo o de joelhos para o motorista. A versão B 200 Turbo Sport inclui o Active Park Assist, programa auxiliar de estacionamento que permite entrar e sair de vagas automaticamente, e o recurso da direção direta, que modifica o raio de voltas necessárias no volante conforme a situação, em trânsito ou em manobras.

Na estrada

Para o test drive entre a fábrica, em São Bernardo do Campo (SP), e a Riviera de São Lourenço, no litoral paulista, a Mercedes disponibilizou a versão completa B 200 Turbo Sport. O trajeto de cerca de 120 quilômetros, que normalmente seria feito em uma hora em meia, levou mais que o dobro disso, por causa da Operação Comboio aplicada pela Polícia Rodoviária, em decorrência do forte nevoeiro. Vencido o trecho de neblina, percorrido a pouco mais de 20 km/h, foi possível experimentar as aptidões do Classe B.

Ao acelerar partindo de rotações mais baixas, a impressão é de que o motor leva um pequeno intervalo para responder, talvez por causa do regime de operação do turbo. Acima dos 2.000 giros, aí sim, a pequena usina do Classe B mostra toda o seu poderio, entregando respostas rápidas e consistentes. As trocas de marchas, no modo automático, são feitas de forma muito suaves.

Elogiável também é o baixo nível de ruído, percebendo-se mais o emitido pelos pneus do que o do motor. Parte disso se explica pelo ótimo torque fornecido em baixas rotações em conjunto com a transmissão de sete marchas, o que permite rodar a 100 km/h a 1.800 rpm, e a 120 km/h  a apenas 2.200 rpm, contribuindo também para reduzir o consumo e as emissões de poluentes.

Nos primeiros quilômetros, a haste do sistema Direct Select, na coluna de direção, é facilmente confundida com a alavanca de acionamento do limpador do para-brisa dos “carros normais”; por isso, nos trechos com garoa, por mais de uma vez coloquei o carro em ponto morto, equivocadamente.

Fora isso, o Classe B 200 Turbo Sport provoca a sensação de o motorista estar guiando um legítimo esportivo. O carro ganha velocidade muito rapidamente, permite ultrapassagens seguras e, nas curvas, o excelente conjunto de suspensões impede oscilações da carroceria. Os freios também são extremamente confiáveis, transmitindo ao motorista muita segurança.

No caminho de volta, já à noite e sem neblina, a insatisfação causada pelo congestionamento no início do teste foi substituída por outra: uma centena de quilômetros é muito pouco para se aproveitar de todo o prazer ao volante que o novo Classe B pode oferecer. Quem sabe numa próxima avaliação exclusiva e, de preferência, num dia de sol?

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