Sedã grande tem qualidades. Porém, pelo preço salgado, deverá continuar atraindo publico fiel e endinheirado

Chrysler 300C retorna, mas com presença discreta

Carsale, do Guarujá-SP – Depois de anunciar concordata em 2009 e ter suas atividades assumidas pelo Fiat Group, a Chrysler passa a desenvolver um projeto mais ambicioso, principalmente nos mercados europeu (que sofre com a crise da zona do euro) e nos emergentes (Brasil, China e Índia). Sendo assim, para se juntar à modelos como Jeep Compass e a picape RAM 2500, a montadora norte-americana apresentou nesta sexta-feira (18) o novo sedã 300C, um dos ícones da sua gama de produtos.

Com preço sugerido de R$ 179.900, o sedã grande (literalmente, já que são 5.04 m de comprimento) impõe sua proposta de atingir um público restrito de endinheirados, mas que vem crescendo a cada ano (leia mais).  E a disputa por esse segmento da sociedade não será fácil, já que o olhar destes motoristas é voltado para a tecnologia e requinte dos modelos alemães.

Para enfrentar essa questão, a Chrysler recheou o novo 300C de argumentos. A começar pelo design que ficou mais atual e moderno. A linha de cintura se manteve continua e reta, com um arredondamento das extremidades (parte frontal e traseira). Além disso, a enorme grade dianteira (característica marcante na antiga geração) ficou mais simples. Mudanças que mantiveram aquela primeira impressão de carro grande.

Apenas uma versão

Pela proposta do 300C, o braço norte-americano da Fiat optou por trazer para o Brasil apenas uma versão do modelo. Trata-se da opção que vem equipada com uma série de equipamentos de série, como auxílio de estacionamento dianteiro e traseiro, ar-condicionado “dual-zone” automático, computador de bordo, coluna de direção com regulagem elétrica de altura e profundidade, controles do sistema de áudio no volante, limpadores de para-brisa com sensor de chuva, chave keyless e teto solar panorâmico.

Também foram incluído no pacote vários itens da parte de segurança, como airbags dianteiros, laterais, dianteiros e traseiros tipo cortina, airbags suplementares laterais montados nos bancos dianteiros com apoios de cabeça ativos, controle eletrônico de estabilidade (ESP), freios ABS e monitoramento da pressão dos pneus.

Um destaque (um pouco negativo) está na cor do revestimento do habitáculo. Baseado em uma proposta asiática (interior claro é o preferido dos chineses, por exemplo), o couro dos bancos e os plásticos do painel (que, aliás, estão em excesso) são na cor bege (apesar da foto divulgada pela montadora abaixo dizer o contrário). Isso, contrastando com os apliques de madeira, deixam uma sensação meio estranha e cansativa numa viagem longa. Viagem essa que também trará outra questão negativa. O volante possui uma empunhadura desconfortável e lisa (tanto no revestimento preto de borracha quanto na parte superior, também de madeira).

Apesar disso, o conforto é excelente. A posição dos bancos dianteiros pode ser ajustada por controles elétricos. O encosto é grande (não chega a abraçar as costas como um todo) e suficiente para que o corpo fique bem acomodado.  Por falar em conforto,  quem for sentado no banco traseiro não tem do que reclamar.  Digno de um clássico modelo de executivos e madames, guiados por seus motoristas, há espaço suficiente para que todos tenham uma viagem  tranqüila, sem aperto.

Impressões ao dirigir

Durante a apresentação da novidade da Chrysler, tivemos a oportunidade de guiar o 300C num trajeto curto até o litoral paulista, na cidade do Guarujá. O comportamento é digno de um sedã, priorizando o conforto. O desempenho do novo motor 3.6 V6 Pentastar de 286 cavalos de potência não é digno de um esportivo, mas oferece o necessário para as ultrapassagens e retomadas.

O consumo divulgado oficialmente pela montadora, indica que o 300C fica na faixa dos 7km/l (num mix de urbano+estrada). O computador de bordo, durante o trajeto, mostrou dados semelhantes: registrando 8 km/l (levando em consideração que a maior parte do trajeto foi feito na rodovia). Se levar em consideração o peso e a proposta natural “beberrona” do sedã grande, os números são razoáveis a atendem às novas demandas globais de economia.

A curiosidade deste primeiro contato com o modelo da Chrysler está na tela de 8,5” no centro do painel. O sistema de navegação recebeu os mapas brasileiros, porém está ainda está conversando com usuário em outros idiomas. Para a avaliação da imprensa, a montadora colocou a linguagem em espanhol. Além de ter uma voz  “gringa” informando os caminhos, o motorista deve ficar atento aos caminhos. Como outros dispositivos semelhantes, o GPS demonstrou uma certa dificuldade em indicar o melhor trajeto.

Conclusão

O Chrysler 300C possui um público admirador fiel, além de chamar a atenção dos endinheirados que andam no banco de trás, pelo conforto e sofisticação que ele transmite. No Brasil deverá continuar com vendas modestas. Mesmo assim,  tem atributos para  subir alguns degraus no retrito segmento de luxo.

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